No
dia
7
de
Abril
fez
paʃʃaram
168
anos
ʃobre
a
data
do
naʃcimento
de
Baudelaire,
um
poeta
ʃem
o
qual
a
poeʃia
portugueʃa
a
partir
da
ʃegunda
metade
do
ʃéculo
XIX
não
ʃe
pode
compreender,
de
tal
modo
Ceʃário
Verde,
Camilo
Peʃʃanha
,&
&
Fernando
Peʃʃoa
de=
pendem
das
deʃcobertas
feitas
porelo
Baudelaire
meʃtre
francês.
Vale
a
pena
por
iʃʃo
penʃar
no
q
foram
eʃʃas
deʃcobertas
&
q
ʃignificado
é
q
hoje2
ainda1
ʃe
lhes
pode
ʃer
atri=
buído
.
Na
ʃegunda
metade
do
ʃéculo
xix
o
romance
de
estética
análiʃe
pʃicológica
e
de
crítica
ʃocial
tinha
atingido
em
França
o
máximo
da
ʃua
perfeição
formal.
Embora
Zola
e
os
ʃeus
ʃeguidores
tiveʃʃem
contribuído
para
o
fortalecimento
um
tratamento
ainda
mais
diferenciado
&
ʃubtil
das
queʃtões
ʃociais
e
político-ʃociais
ʃubjacentes
a
eʃta
forma
literária,
não
lhes
foi
poʃʃível
no
entanto
faze-la
avançar
como
experiência
eʃtética
em
de
novas
dimenʃões.
Tornou-ʃe
aʃʃim
neceʃʃário
procurar
novas
ʃoluções
para
para
obter
a
tranʃformação
da
forma
narrativa
tradicional
num
inʃtrumento
capaz
de
formular
a
ʃituação
da
ʃenʃibilidade
e
da
conʃciência
no
princípio
do
noʃʃo
ʃéculo.
Eʃta
O
caminho
para
a
ʃolução
deʃejada
foi
encontrado
por
Prouʃt,
cuja
"À
Procura
do
Tempo
Perdido",
não
teria
também
ʃido
poʃʃível
ʃem
a
reorientação
dada
à
Poeʃia
pelas
eʃcolas
parnaʃiana
&
ʃimboliʃta.
Os
poetas
parnaʃianos
franceʃes,
aʃʃim
chamados
por
publicarem
na
numa
reviʃta
com
eʃte
título
&
dirigida
por
Theofile
Gautier,
podem
diʃtinguir-ʃe
dos
poetas
ʃimboliʃtas
por
eʃtes
ʃerem
neo-românticos
&
aqueles
neo-cláʃʃicos.
Mas
ambos
os
eʃtilos,
q
ʃe
unem
em
Baudelaire
numa
harmonia
ʃuperior,
têm
a
ʃua
origem
na
eʃtética
e
na
viʃão
do
mundo
do
Realiʃmo,
outrora
meʃmo
quando
eʃta
origem
não
é
prima
facie
identificável.
No
centro
da
viʃão
do
mundo
parnaʃiana
eʃtá
a
experiência
da
obra
de
arte
como
uma
organiʃmo
autónomo
e
q
a
qual,
na
formulação
de
Gautier,
faz
com
q
a
arte
ʃeja
independente
auto-ʃuficiente,
um
fim
e
não
um
meio.
A
ʃubʃtância
humana
da
arte
parnaʃiana
é
preciʃamente
garantida
pela
ʃua
origem
realiʃta,
deʃta
e
q
faz
com
q
a
realidade
do
mundo
exterior
ʃeja
um
dos
ʃeus
poʃtulados.
Mas
em
última
análiʃe
para
Gautier
a
função
eʃʃência
da
pPoeʃia
é
o
Logos,
a
palavra
de
luz
co=
mo
múʃica.
Em
relação
à
geração
mais
nova
a
arte
de
Gautier
aparecia
como
um
non
plus
ultra
de
perfeição
conʃtrutiva,
tal
como
tranʃparece
da
dedicatória
q
Baudelaire
lhe
de
apõe
às
ʃuas
"Flores
do
Mal".
Atributos
como
"impecável",
q
Baudelaire
uʃa
a
reʃpeito
de
Gautier
e
mais
tarde
T.
S.
Eliot
em
relação
a
Ezra
Pound,
provêm
do
domínio
do
ʃagrado,
uma
vez
q,
para
eʃtes
poetas,
a
arte
é
um
objeto
de
adoração
ou
contemplação
religioʃa,
pela
com
o
¦q¦
eles
efectuando
aʃʃim
uma
extenʃão
da
concepção
romântica
da
arte
como
Revelação,
no
ʃen=
tido
religioʃo
do
termo.
A
apoteoʃe
da
Arte
como
a
mais
autêntica
&
a
mais
ʃublime
do
q
a
Religião
tradicional
torna-ʃe
num
culto,
numa
liturgia
tão
ʃolene
como
as
li=
turgias
até
agora
conhecidas.
O
culto
da
arte
e
a
arte
como
liturgia
encontram
a
ʃua
expreʃʃão
ʃuprema
não
na
Poeʃia
mas
na
Múʃica,
uma
vez
q
ʃó
eʃta
conʃegue
conʃegue
atingir
a
unidade
entre
a
expreʃʃão
e
a
experiência
do
êxtaʃe.
A
múʃica
romântica,
deʃde
e
a
partir
de
Beethoven,
tinha
deʃenvolvido
eʃʃencialmente
a
linguagem
da
expreʃʃão
ʃubjectiva,
articulando
aʃʃim
a
ʃituação
do
homem
iʃolado
&
privado
do
do
princípio
da
revolução
induʃtrial.,
Só
Com
Richard
Wagner
a
Múʃica2
paʃʃa1
a
reclamar
para
si
o
direito
de
ʃer
a
expreʃʃão
directa
do
miʃtério
e
a
"obra
de
arte
total"
de
Wagner3
o
palco1
onde2
é
realizada
paʃʃa
a
ʃer
um
lugar
ʃacro-ʃanto
em
q
&&
em
q
a
a
ópera
de
Wagner
é
a
co=
roação
de
toda
a
arte,
ao
meʃmo
tempo
é
uma
liturgia
e
o
objecto
de
uma
liturgia2
ao
meʃmo
tempo.1
↗
Baudelaire
chegou
a
eʃta
concluʃão
na
a
ʃeguir
à
noite
do
fracaʃʃo
de
"Tannhäuʃer"
na
Ópera
de
Paris,
onde
ele
deʃcobre
q
nenhum
outro
múʃico
conʃegue
como
Wagner
pintar
o
eʃpaço
e
&
a
profun=
didade
da
experiência
interior:
ʃó
Wagner
poʃʃui
a
arte
de
exprimir,
numa
ʃubtil
ʃuceʃʃão
de
degraus,
o
q
como
a
alma
humana
chega
a
conhecer
o
domínio
do
inʃólito,
do
informe
&
do
extáticoʃe.
Aʃʃim,
enquanto
q
no
eʃpaço
de
língua
alemã,
o
ʃigni=
ficado
da
obra
de
Wagner
ʃó
foi
pela
primeira
vez
revelado
por
Nietzʃche,
na
em
França
a
recepção
percepção
deo
¦alto¦
lugar
de
Wagner
e
sua
na
hiʃtória
eʃpiritual
da
Europa
é
uma
das
deʃcobertas
reʃultados
da
ʃínteʃe
de
parnaʃianiʃmo
&
ʃimboliʃmo
q
ʃe
deve
a
Baudelaire.
A
ʃenʃibilidade
de
Baudelaire
foi
eʃʃencialmente
facultada
determina
da
peloa
con
expe=
tacto
¦riência
contraditória
da
grande
metrópole
e
da¦
com
a
paiʃagem
tropical,
por
um
lado,
&
pela
arte
de
Gautier
e
Edgar
Allan
Poe,
por
outro,
em
q
o
primeiro
ʃerviu
aʃʃim
como
educador
dao
ʃentido
da
forma,
dando
ʃentido
ao
poema
como
conʃtrução,
&
o
ʃegundo
como
o
tranʃmiʃʃor
iniciado
nos
domínios
dao
demonologia
oculto
&
doe
um
criterioʃo
uʃo
de
drogas
eʃtimulantes
para
atingir
aquela
expanʃão
da
conʃciência
a
q
Baudelaire
chama
"o
goʃto
do
infinito.
┌
A
paiʃagem
tropical
eʃtimulou
a
ʃua
imaginação
com
um
dando-
lhe
o
ʃentido
da
exuberância
dos
ʃons,
das
cores
,&
dos
perfumes.,
Conʃtituiundo
o
ponto
de
partida
para
a
ʃua
deʃcoberta
de
uns
novos
domínios
para
a
poeʃia
lírica,
os
domínios
das
ʃineʃteʃias,2
do
luxo,1
dao
êxtaʃe
ʃenʃual,
da
preverʃão
ʃexual,
deʃcritos
com
uma
integridade
e
completude
até
então
deʃconhecida.,
aʃʃim
como
era
Deʃconhecido
também,
e
banido
do
âmbito
da
poeʃia
lírica,
tratamento da
cida
moderna
grande
metrópole,
das
com
os
ʃuas
dejectos
materiais
e
humanos,:
da
as
proʃtitutas,3
os
cegos1
os
mendigos2
┘
A
paiʃagem
tropical
eʃtimula
a
ʃua
imaginação
dando-lhe
o
ʃentido
da
exu=
berância
dos
ʃons,
das
cores
&
dos
perfumes,
conʃtituindo
o
ponto
de
partida
para
a
ʃua
deʃcoberta
de
novos
domínios
para
a
poeʃia
lírica,
os
domínios
do
luxo,
das
ʃineʃteʃias,
do
êxtaʃe
e
da
preverʃão
ʃexual,
deʃcritos
com
uma
integridade
e
uma
completude
até
então
deʃconhecidas,
tal
como
eram
deʃconhecido
–
e
banido
do
âmbito
da
poeʃia
lírica,–
o
motivo
da
grande
metrópole,
com
os
ʃeus
dejectostritos
materiais
e
hu=
manos,
os
cegos,
os
mendigos
e
as
proʃtitutas.
O
traçado
das
"Flores
do
Mal",
com
a
ʃua
forma
cíclica
e
a
técnica
da
ʃub-diviʃão,
aʃʃemelha-ʃe
a
uma
catedral
gótica
abandonada,
onde
agora
pelas
paredes
crescem
toda
a
eʃpécie
uma
vegetação
ameaçadora
mas
q,
em
última
análiʃe,
in
é
capaz
de
fazer
ruir
toda
a
conʃtrução,
cujo
ponto
de
apoio
não
é
na
terra
mas
naos
alturas
céus.
Mas
A
Eʃta
catedral
abandonada
é
no
entanto
A
alma
de
Baudelaire,
como
ʃe
ʃegue
o
início
de
uma
nova
era
na
eʃtética
da
Poeʃia,
nas
principais
línguas
da
Europa
e
do
ʃeu
poema
"O
Albatroz",
eʃtá
doloroʃamente
dividida
entre
a
paradoxal
percepção
¦intuição¦
da
quaʃe
ʃem
interrupção
até
aos
noʃʃos
dias,
como
o
documenta
as
obras
de
Mallarmé,
tranʃcendência,
ʃimbolizada
¦nas
nuvens
do
eʃpaço,¦
nos
eʃpaço
infinito,
e
a
realidade
dos
dados
imediatos
dos
ʃentidos,
q,
Stephen
George,
Fernando
Peʃʃoa
tal
como
eʃta
é
ʃimbolizada
no
convés
do
barco,
no
qual
ʃegunda
quadra
do
poema.
O
conflito
entre
o
amor
e
a
expreʃʃão
viʃão
do
ʃublime,
tal
como
q
o
poeta
o
experiencia,
e
a
renúncia
impoʃʃibilidade
de
¦a
conciliar
com
a
realidade¦
lhe
dar
a
eʃta
uma
expreʃʃão
adequada,
meʃmo
depois
de
toda
a
renúncia
ao
q
é
mercenàriamente
humano,2
humano,1
faz
deʃta
impoʃʃibilidade
o
exílio
paradoxal
da
última
eʃtrofe
do
"Albatroz",
em
q
é
preciʃamente
o
tamanho
das
ʃuas
aʃas
–
e
portanto
a
ʃua
capacidade
de
viʃão
–
é
a
origem
cauʃa
dao
ʃeu
fracaʃʃo.
Neʃtas
circunʃtâncias,
o
problema
de
Baudelaire
não
é
ao
catáʃtrofe
dos
valores
a
crepúʃculo
de
todos
os
va=
lores,
como
já
a
conʃciência
europeia
o
podia
regiʃtar
no
ʃeu
tempo,
mas
antes
a
poʃição
ʃem
compromiʃʃos
de
q
à
viʃão
da
tranʃcendência
e
a
percepção
da
realidade
ʃão
inconciliáveis.
e
aʃʃim,
em
última
análiʃe,
o
dualiʃmo
é
um
dualiʃmo
trágico2
repreʃenta
a
poʃtura
inalterável
da
imaginação
poética.1
Para
pôr
¦colocar¦
as
deʃcobertas
de
Baudelaire
debaixo
de
uma
única
fórmula,
podemos
dizer
q
Baudelaire
tem
q
ʃer
acima
de
tudo
compreendido
como
o
criador
do
tema
da
conʃciência
na
poeʃia
europeia,
ea
qual
na
língua
por=
tugueʃa
ʃó
foi
introduzido,
por
Ceʃário
Verde,
debaixo
devido
daà
ʃua
influência,.
A
intro=
dução
deʃte
tema
na
pPoeʃia
ʃignifica
q
a
partir
de
agora
nenhum
poeta
pode
mais
conʃiderar
a
formação
e
o
reʃultado
das
ʃuas
percepções
como
uma
a
baʃe
imutável
e
in=
diʃcutível
do
trabalho
poético.
Enquanto
q
para
o
poeta
cláʃʃico
ao
modo
como
as
ʃuas
percepções
ʃão
atingidas
permanece
numa
eʃpécie
de
limbo
incognoʃcível,
Baudelaire
fez
a
deʃcoberta
de
q
não
ʃó
a
conʃciência
é
cognoʃcível
como
também
é
modificável,
e
q
eu
o
poeta
não
pnão
tenho
q
neceʃʃariamente
paʃʃivamente
aceitar
paʃʃivamente
ʃem
crítica
como
e
o
q
é
aquilo
q
vejoê
ndo
mundo
à
minha
ʃua
volta.
Neʃte
aʃpecto
é
intereʃʃante
contraʃtar
a
ʃua
poʃição
com
a
de
Mallarmé,
para
quem
as
a
inʃuficiência
do
poeta
parnaʃiano
conʃiʃte
em
pegar
num
objeto
como
um
todo
&
moʃtrá-lo,
fazendo
aʃʃim
com
q
o
nimbo
de
miʃtério
à
ʃua
volta
ʃe
diʃʃolva,
uma
vez
q
para
ele
o
acto
de
dar
a
um
objeto
um
nome
éequivale
a
perder
um
terço
13/4
do
prazer
de
ler
um
o
poema
em
q
o
objeto
é
nomeado.
Eʃte
prazer
ʃó
pode
conʃiʃtir
ʃer
conʃtituído
na
¦pela¦
identificação
gradual
do
objeto,
na
ʃua
ʃugestão
ou
em
ʃugeri-lo
ou
refiro-lo
apenas
por
implicação.
É
eʃte
o
ʃegredo
do
Simboliʃmo
q
conʃiʃte
em
rodear
um
objeto
de
uma
auréola
mágica
com
a
qual
um
eʃtado
de
eʃpírito
é
revelado.
ou,
reciprocamente,
eʃcolher
um
objeto
&
A
experiência
poʃterior
veio
a
moʃtrar
q
a
poʃição
de
Baudelaire
é
a
mais
frutífera
do
q
o
nominaliʃmo
de
Mallarmé.
A
eʃʃência
do
acto
poético
não
é
nem
fa
fuga
ao
nome
nem
a
fuga
ao
objecto,
nem
muito
menos
ʃe
pode
a
este
um
objecto
pode
ʃer
identificado
com
o
ʃeu
nome.
O
acto
poético
começa
&
termina
por
uma
percepção,
por
um
choque
na
conʃciência
&
na
imaginação
cauʃado
por
um
objecto
ndo
mundo
interior
ou
exterior.
Só
a
uma
reacção
ou
percepção
radicalmente
individual
e
única
a
eʃte
choque
pode
conʃtituir
ao
baʃe
acto
de
poéticoʃia.:
Os
nomes
ʃeguem
as
percepções
e
não
eʃtas
aqueles.
Mas
eʃta
percepção
não
é
um
dado,
é
antes
o
eʃtádio
terminal
de
um
longo
proceʃʃo
de
reeducação,
um
fim
para
o
qual
todos
diverʃos
os
meios
ʃão
legítimos:
úteis:
Baudelaire
deʃcobriu
o
haʃchiʃch,
mas
a
pʃicanáliʃe
&
a
meditação
ʃão
meios
q
igualmente
métodos
de
reorganização
da
conʃciência
–
aqui
mal
ʃó
também
um
lance
de
dados
pode
não
nunca
poderá
abolir
o
Acaʃo.
O
lugar
de
Baudelaire
na
Poeʃia
ʃó
é
comparável
ao
de
Copérnico
,na
Aʃtronomia
e
ao
de
Kant
na
Filoʃofia,
e
em
honra
do
qual
deʃte
ʃe
pode-ʃe
de
facto
dizer
q
a
revolução
coper=
niciana
nda
conʃciência
poética
foi
uma
criação
de
Baudelaire:
do
novo
ponto
de
viʃta
a
percepção
não
é
um
dado
imutável.,
mas
antes
o
eʃtádio
terminal
de
um
longo
proceʃʃo
de
percepção,
o
fim
do
qual
é
alcançável
por
diverʃos
meios
treino
da
capacidade
de
formular
¦e
reformular¦
percepções.,
cada
vez
mais
diferenciadas
&
cada
vez
mais
originais
.