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Maarten Janssen, 2014-

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1664. Carta de frei Cristóvão do Rosário para um inquisidor.

Author(s) Cristóvão do Rosário      
Addressee(s) Anónimo446      
In English

Private letter from Cristóvão do Rosário, friar, to an Inquisitor

The author tells the addressee that a third party wants to surrender to the Inquisition.

This is the Inquisition lawsuit of Simão Gomes, a 35 years old New Christian accused of Judaism. The defendant was a merchant, son of Francisco Carvalho and Brites Gomes and he was married to Guiomar Serrana, also a New Christian. He lived in London. Simão Gomes confessed having lived several years under the Judaic faith, after his father had taught him the Law of Moses. After he went to London, the defendant realized that he no longer wanted to live as a Jew, but he wished to convert himself to Christianism. He wrote friar Cristóvão do Rosário, a religious member of the ‘Ordem dos Pregadores’ and also the queen of England’s preacher, telling him about his intentions. Since his name was mentioned in several proceedings of family members accused of Judaism, Simão Gomes decided to present his confession to the Inquisition. He presented the letters he had written to friar Cristóvão do Rosário as proof of his conversion to Christianism after arriving at London. This way he hoped to gain forgiveness and some benefits that allowed him to come back to Lisbon with his family. He was well succeeded in his efforts. In an auto-de-fé on 23rd July 1664, the defendant was sentenced to abjuration in the form of instruction in the Catholic faith, spiritual penitence and payment of legal costs. He was released five days later.

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[1]
Tenho respondido â carta que VSa me escreveo em 3 de julho do anno passado, por duas vias entregandoas ao Em-baxador marques de sande
[2]
agora que elle esta em frança mando estas regras pello official que deixou em a sua se-cretaria, nas quais falarei com mais cautela, porque suposto vão debaixo da capa d el Rei, vão por correio as dunas aonde esta a Embarcacão.
[3]
a pessoa, sobre a qual VSa me Escreveo a ditta carta de 3 de julho não vendo reposta de VSa nesta Embarcacão, veio buscar-me na somana passada, e disseme que Estava sentidis-sima de capitular com VSa cerca de sua ida, e apresentacão de sua pessoa nessa mesa,
[4]
porque fazendo contas consigo nesta materia, tenha alcansado que não devia propor nenhua con-dicão, senão entregarse na misericordia dese sancto tribu-nal, o qual lhe respeitaria o buscalo donde elle Reo estava em toda a liberdade,
[5]
e que estava tão conhecido de que este avia ser o Estillo de suas cartas e Requirimento, que tinha grande pena de não ter seguido este termo; pelo que se tinha resolvido, que avia de esperar segundas Embarca-cois, e avia de ir com qualqer ordem de VSa, ou fosse esta ou aquella, quer lhe concedessem tudo quanto pedia, quer não.
[6]
Louveilhe muito o bom conselho que tomava, e pregun-teilhe se queria que assim o escrevesse a VSa,
[7]
respondeume que assim o fizese na pra Embarcacão,
[8]
e porque esta se supu-nha ja partida, veiyo ontem buscarme a pedirme que quisese logo escrever o Referido, porque ainda o podia fa-ser nesta Embarcacão que ainda estava nas dunas, es-perando vento.
[9]
fui falar com çipriano de pena, que assim se chama o official da secretaria do Embaxador, se avia ordem segura pa escrever huã carta ao Sto officio,
[10]
respon-deume que dandolha oje iria no correio as dunas de-baixo da capa do mosso do snr bispo de targa, e com alguas cartas q de franca avia mandar a sua magde pa irem nesta Embarcacão
[11]
pareceume q devia dar este aviso a Vsa
[12]
VSa fará o que for mais serviso de deus q gde a Vsa
[13]
Londres 20 30 de janeiro de 1664
[14]
fr Chstovão do Rosro

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