PT | EN | ES

Menú principal


Powered by <TEI:TOK>
Maarten Janssen, 2014-

Visualización por frase

1671. Carta de António de Araújo para um seu cunhado.

ResumenO autor conta ao cunhado as suas novidades e pede desculpa por não poder pagar o que lhe deve.
Autor(es) António de Araújo
Destinatario(s) Anónimo279            
Desde América, Brasil
Para S.l.
Contexto

Processo de Domingas de Araújo, moradora na freguesia de Rio Caldo, Terras de Bouro, acusada de bigamia. Conteúdo do processo: o padre Manuel de Araújo, cunhado da dita Domingas e morador em Santo Tirso, denunciou-a à Mesa no dia 11 de março de 1690. Domingas de Araújo era casada com António de Araújo, barbeiro, irmão deste padre Manuel, e tinha com ele dois filhos. Depois de o seu marido se ausentar para o Brasil por 18 ou 19 anos, e estando ele ainda vivo, esta terá casado pela segunda vez a 20 de janeiro de 1687 com Francisco Afonso, "o Fidalgo", lavrador, natural e morador da freguesia de Rio Caldo, concelho de Bouro, de quarenta e três anos de idade, com quem viveu dois ou três anos antes de o seu marido voltar do Brasil. À data da denúncia, António de Araújo encontrava-se a viver em casa de seu irmão e Domingas continuava a viver com o segundo marido.

O padre Manuel de Araújo lia sempre à sua cunhada as cartas que António lhe mandava, escritas com a sua própria letra. Também Filipe Bravo, da mesma cidade, teria voltado do Brasil e lhe foi dar notícias de seu marido, pelo que ela saberia que ele estava vivo.

Domingas de Araújo pediu então uma audiência para confessar as culpas. Disse que só sabia que o marido escrevia porque o irmão deste, o padre Manuel de Araújo, assim o dizia, e que dele nunca recebeu carta alguma. Disse que escreveu ao marido e dele não obteve resposta, pensando então que estaria morto.

Disse ainda que só fez os bens d'alma do seu marido por ter sido perseguida, com esse fim, por um abade e um cura locais.

Disse também que só se casou com o dito Francisco Fidalgo porque os seus parentes a perseguiram para que tal fizesse.

Finalmente, disse que, quando soube que o seu primeiro marido tinha chegado do Brasil, logo se afastou do segundo e se recolheu na casa de sua cunhada, Isabel Francisca, permanecendo lá por dois meses. Aí deu à luz uma criança, filha do segundo marido, mas logo a entregou ao pai.

Disse também que o seu primeiro marido entendeu que ela não tivera a menor culpa, e então mandou buscá-la para que voltasse para junto de si em agosto. E que quando a prenderam já estava em casa deste e que viviam juntos novamente. Depois de inquiridas as testemunhas e de analisados todos os factos e documentos, a ré foi considerada inocente e foi absolvida, mas teve que pagar as custas do processo.

Soporte meia folha não dobrada escrita apenas numa das faces.
Archivo Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Tribunal do Santo Ofício
Fondo Inquisição de Coimbra
Referencia archivística Processo7445
Folios [40]v
Transcripción Leonor Tavares
Revisión principal Fernanda Pratas
Contextualización Leonor Tavares
Normalización Fernanda Pratas
Anotación POS Clara Pinto, Catarina Carvalheiro
Fecha de transcipción2008

Texto: -

Etiquetas:


[1]
oje 19 de maiio do anno de 1671 annos Snor cunhado
[2]
fastejarei q estas duas regoras ache a Vm con boa saude como eu pa min dezejo
[3]
eu ao prezente fiquo con saude des grasas pa cenpre esperando por partida de hũa comaqua que Vai pa pernanbuquo desta cidade da baia porquanto não Vejo modo de viber nesta cidade da baia e acim bou con amigo meu de braga q tem hum tio em pernanbuquo talbes acharei la melhor comedo
[4]
Mais enfadarei a Vm a darlhe as boas noVas da minha Viaje que tibemos nesta frota q numqua me doeu nada des gacas pa cempre nem os demais camaradas so con grande pena de me nam despedir de Vm e do gordo e dos mais amigos q neca tera andã
[5]
mas da minha parte peco a Vm me de muitos meus recados a todos os de min quizerem ouvir novas de mais de nocas contas q temos e de seu primo goncalo da silva muito meu amigo
[6]
e asim fiquo cempre muito obrigado como tennho de obrigacam
[7]
recebi de cua man tres mil reis da minha praca
[8]
o de mais fiquamos agustados de tudo do que me peza não poder pagar a Vm cenhõr cunhado
[9]
mas des acudira pa Vm cer cervido alem das merceas que Vm me fas q co des lhe pagara porquanto eu não sou pa o pagar
[10]
e acim lho encomendo que tenha pasiencia ate des nos dar cabelos
[11]
he com isto não enfado Mais a Vm
[12]
deste cativo e amigo de Vm Anto de Araujo etc
[13]
que de mais se for pa rio caldo me de muitos recados a minha cogra a todos os de min quizerem ouvir novas
[14]
deme mais novas a domingas de araujo d onde estou pa elles poder escreVer ce llevaren gosto

Text viewWordcloudFacsimile viewManuscript line viewPageflow viewSyntactic annotation