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1724. Carta de Jorge Fernandes, padre, para seu sobrinho, Francisco Gonçalves Machado Carrina, também padre.

ResumenO autor escreve a seu sobrinho para lhe dar notícias sobre umas certidões.
Autor(es) Jorge Fernandes
Destinatario(s) Francisco Gonçalves Machado Carrina            
Desde Portugal, Bragança, Argozelo
Para Portugal, Miranda
Contexto

Segundo informações do Caderno do Promotor, alguns moradores de Argozelo identificados como «gente de nação dos cristãos-novos» disseram que Isabel Gamboa, moça solteira e «mulher meretriz», difamava todos os moradores com mentiras e nomes muito injuriosos, vivendo durante o dia e à noite com a porta aberta, pelo que havia pendências e discórdias entre ela e aqueles moradores. Isabel Gamboa nem seria daquele lugar e não pagava a sisa, pelo que os moradores pediram a sua expulsão ao Juiz de Fora (19/10/1730). Depois de expulsa, Isabel Gamboa começou a queixar-se dizendo que, se a queriam expulsar, era por ela não querer «ajudiar» com eles, no que foi ouvida pelo padre Francisco Gonçalves Machado Carrina, que denunciou o caso ao Santo Ofício. O comissário que se deslocou a Argozelo não concluiu nada do auto de testemunhas a que procedeu. Comentou até, na carta de 20/10/1731 que dirigiu a um Inquisidor de Coimbra (transcrição normalizada): «Na forma que VSa. me ordena, fiz esta diligência inquirindo as testemunhas nela conteúdas, com aquela exação e cuidado que a matéria pede, sem que pudesse alcançar cousa alguma mais que o deposto pelas tais testemunhas, de cuja verdade não posso fazer firme conceito. Porque as pessoas que, pela sua qualidade e limpeza de sangue, se fazem dignas de crédito não podem saber cousa alguma dos particulares da gente de nação dos cristãos-novos pela grande cautela que usam, mostrando-se nas suas ações exteriores mais pios, devotos e católicos que os mesmos cristãos-velhos.» (fl. 254v). A Inquisição não terá chegado a levar esta suspeita de judaísmo por diante, pelo que houve lugar à instauração de processo. Os moradores de Argozelo que Isabel Gamboa denunciara, entretanto, fizeram a sua própria exposição ao Santo Ofício e alegaram sobretudo que o padre Francisco Gonçalves Machado Carrina era «inimigo capital dos sobreditos moradores», conservando destes um ódio que o levava a maquinar as mais ardilosas artimanhas para os incriminar. Como o dito padre era «de tão má língua», chegava a insultar os moradores de «cães, perros, judeus e hebreus», como pretenderam provar pelas catorze cartas que enviaram à Inquisição e que o padre tinha trocado, anos antes, com um seu tio. A razão do conflito entre o padre e os moradores não fica nunca muito clara na documentação conservada, mas teve provavelmente a ver com o facto de o padre ter sido processado no passado sob acusação de ter engravidado uma jovem.

Dentro do fundo do Tribunal do Santo Ofício existem as coleções de Cadernos do Promotor das inquisições de Lisboa, Évora e Coimbra. O seu âmbito é principalmente o da recolha de acusações de heresia. A partir de tais acusações, o promotor do Santo Ofício decidia proceder ou não a mais diligências, no sentido de mover processos a alguns dos acusados. Denúncias, confissões, cartas de comissários e familiares e instrução de processos são algumas das tipologias documentais que se podem encontrar nestes Cadernos. Quanto ao crime nefando e à solicitação, são culpas que não estão normalmente referidas nestes livros.

Soporte meia folha de papel dobrada escrita numa face e com sobrescrito noutra.
Archivo Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Tribunal do Santo Ofício
Fondo Inquisição de Coimbra, Cadernos do Promotor
Referencia archivística Livro 361
Folios [259j]r- v
Transcripción Leonor Tavares
Contextualización Leonor Tavares
Anotación POS Clara Pinto, Catarina Carvalheiro
Fecha de transcipción2008

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Franco estimo tenhas boa saude
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Eu ando algua Cousa milhor ainda que pouCo
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veio Certidam do Cura do tenpo que ha que o Pe Manoel ros he seu fregeses
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Eu bem andava por ver se a pasava desd o san joao mas não qis
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e vam la tambem as demais Certidois e se vam tarde he porque Cando me chegou tua Carta
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ha mais de sete ou outo dias que esta por Ca.
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e maria das eiras apenas a vejo e pera falar Com ella senpre me he nesesario hum Creado para chamar que apenas Eu tenho quem me va a fonte
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Se misas dis trinta pelas almas Oralmente ate que deem o dro
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e se não as podes deser mandame diser e pera te servir faco vir
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Deus te gde
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Agosto e ja dto 29 de 1724 teu tio o Pe Jorge frz

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