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Maarten Janssen, 2014-

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1755. Carta não autógrafa de António Francisco Rego, irmão da Ordem Terceira de S. Domingos, preso e juiz da enxovia da cadeia, para Bernardo Germano, comissário do Santo Ofício.

Autor(es)

António Francisco Rego      

Destinatario(s)

Bernardo Germano                        

Resumen

O autor pede ao destinatário que consiga a transferência do preso António de Paiva Travassos, uma vez que esse preso incomodava os outros com as suas blasfémias.

Texto: -

Etiquetas:


[1]
Sr Rdo Dor Bernardo Germano, e dignisso comisso do sto offo
[2]
A razão de christão, cathollico, temte a Deos, fo da Sta Me Igra; e amantisso zellador da nossa sta cathollica como Irmão que sou da veneravel Ordem 3a do meo grde Patri-arca S Domingos, estou obrigdo pelas circunstancias expen-didas a evitar todos os aggravos, afrontas, injurias, blasfemas, e renegaçõis contra nosso snr Jezu Christo verdadro Deos, e ho-mem em qm creyo, a qm adoro como fiel, e verdadro Christão,
[3]
e como pa se dar a provida necesra a tão grande escandalo percizo fazerse recurso a Vm como dignisso comissro do Sancto offo Como Juis que sou da Enxovia da cadea desta cidade alem das razões assima expreçadas fasso a saber a Vm; que nesta mesma cadea se acha prezo pelo Juizo Eccleziasto o Capitão Antonio de Payva Travaços
[4]
, e como se fação abominaveis os seus perniciozos, e gravantes dtos, e conjurações actualmte dando com elles escandalozissos exemplos a grande turba de gentes que aqui se achão tãobem prezos, e entre os quaes não se pode duvidar, que haverão mtos de infecta nasção como o são os infinitos negros, e muitos estrangeiros, que pela sua quallide; e condição se regozigem de ouvirem as taes renegações, e blasfemas, o que mtas vezes tem acontecido em inreverencia, e fraude da nossa sta , e por evitarmos estes incómodos entre a Christandade o exponho da forma profferidas por elle dto.
[5]
As torpes, e malvadas pronuncias que proffere pla sua boca o dto Capitão sem nẽhuã reverencia a Deos, e aos seus santos são as seguintes.- Que renega de Jezû Christo (e fallando com toda a devida sũmissão dis elle) que caga pa Christo, e que o verdadro Christo elle, e que Deos pa com elle não tem nẽhũ poder,
[6]
e desta forma se poem como em desafio dizendo, q se Deos poderozo, q o mostre em alguã couza.
[7]
Trata aos sanctos aos Sanctos por cornudos:
[8]
nas occaziões em que os mais prezos estão ouvindo Missa, cuida elle mto em os perturbar com allaridos, gretarias, e descomposturas a fim de o motim estorvar a devossão,
[9]
e finalmte incuntiveis são as suas estra-nhadas acções por serem quotidianas como o deporão as ttas do rol junto.
[10]
Deste maniffesto, e mau procedimto espero eu, e todos os mais prezos desta cadea, que Vm a provida mais necesra com toda a brevide; que remover o dto prezo blasfemo pa algũ outro carsere donde não prejudique a Christandade, pois neste lugar não deve estar pela diversidade de animos que nelle se acham, sendo a mayor pte gentillide, e por isso de facil comvensão;
[11]
e quando Vm o não queyra fazer, pois tem disso obrigam tanto pela do cargo de dignisso Commisso do Sancto officio, como por ser o dito prezo do Eccleziastico, dar me hâ licensa pa fazer a minha obrigação perante as Justiças secullares, pois não devo apoyar semilhantes culpas sem grande pre-juizo da minha consciencia, e alma.
[12]
pa obedecer a veneran-da pessoa de Vm fico mto certo, e pa tudo o que for do seu serviço me achará prontissimo.
[13]
Deos ge a pessoa de Vm ms annos.
[14]
Cadea, e Janro 2 de 1755 De Vm Menor Criado, e mayor Vor Anto fransico Rego

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