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1722. Carta de Maria Moreira para o seu irmão, João Bicudo Correia.

ResumenA autora pede desculpas ao irmão por não ter escrito antes, e conta que o irmão de ambos lhe escrevera a dizer que a sobrinha estava agora a viver perto dele.
Autor(es) Maria Moreira
Destinatario(s) João Bicudo Correia            
Desde S.l.
Para América, Brasil, São Paulo, Pindamonhangaba
Contexto

Este processo diz respeito a Domingos Luís Leme, de 35 anos, cristão-velho, lavrador, natural do Rio de Janeiro, filho de Francisco Luís Leme, também lavrador, e de Ana Gerdenha. Casado com Isabel Bicuda, voltou a casar com Maria Morais de Madureira. Em junho de 1731, foi sentenciado a sair em auto da fé, a abjuração de levi suspeito na fé, a ser açoutado pelas ruas públicas de Lisboa, degredado por cinco anos para as galés, instruído na fé católica e a mais penas e penitências espirituais.

A sua mulher Isabel Bicuda era filha de João Bicudo Correia, irmã de Manuel Bicudo Correia e sobrinha de Francisco Alves Correia, Manuel Nunes Brito e Maria Moreira. Todas estas pessoas escreveram cartas porque pensaram que o réu, para poder casar-se uma segunda vez, fora a Minas Gerais com a intenção de matar a sua primeira mulher. Estas cartas foram apresentadas à mesa da Inquisição de Lisboa por João Bicudo Correia, pai da vítima.

Segundo consta do processo, o réu teria a intenção de matar a mulher, mas, demovido pelo mestre de campo Manuel Nunes Viano, que o avisou de que se o fizesse iria correr mais perigos, voltou à sua terra e começou a dizer por lá que a primeira mulher estava morta. Isabel Bicuda, que soube da intenção do marido, fugiu, tendo sido vista por João de Sousa Cabral a vender produtos sob a proteção do capitão-mor José Elias, na Bahia.

Por outro lado, outras pessoas alegavam que Isabel Bicuda tinha fugido com outro homem e, indo o marido atrás dela para a trazer de volta, a tinha encontrado morta, tendo sido assassinada por um dos tios da mesma. Esta seria, provavelmente, a versão difundida pelo réu. De facto, em depoimento em Lisboa, a 16 de junho de 1725, este contou o que, segundo ele, se passara. Dezasseis ou dezassete anos antes, estando ele solteiro e morando em São Paulo, havia casado com Isabel Bicuda, viúva de Francisco Nunes. Estiveram casados dois anos e não tiveram filhos. Depois, ele teve de ir a Minas Gerais e levou-a consigo, mas deixou-a entretanto em casa de um cunhado dela, já que precisou de voltar à Vila de Bom Sucesso para pedir a bênção de seu pai, que estava a morrer. Quando regressou a Minas Gerais para a ir buscar, ela havia fugido com outro homem. Depois de a procurar durante dois anos pelos Currais da Bahia e de Pernambuco, sempre sem ter notícias, resolveu refazer a sua vida e tratar das suas terras. Passados doze anos, começou a viver com Maria Morais de Madureira, viúva de Miguel Rodrigues, mas os parentes desta obrigaram-nos a casar. Segundo ele, ameaçaram ambos de morte, caso não o fizessem. O réu alegou também terem sido os pais de Maria Morais de Madureira a arranjar as testemunhas para provar que a sua primeira mulher estava morta, bem como a pagar ao visitador para dar licença para o casamento. Assim, em 1720, casou com a segunda mulher, com a qual viria a ter dois filhos e uma filha. Confessou ainda que tentou encontrar a primeira mulher para a matar e repor a sua honra, levando consigo apenas dois negros. Considerava isso justo, por ela o ter trocado por outro homem.

Soporte meia folha de papel de carta escrita apenas no rosto.
Archivo Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Inquisição de Lisboa
Fondo Processos
Referencia archivística Processo 2645, 1º caderno
Folios 25r
Socio-Historical Keywords Maria Teresa Oliveira
Transcripción Leonor Tavares
Revisión principal Catarina Carvalheiro
Contextualización Leonor Tavares
Normalización Raïssa Gillier
Fecha de transcipción2015

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Com Reçam se queicha Vmce de eu não ter escrevido a Vmce
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e não lhe pareça a Vmce que eu me esqueso de Vmce
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sempre estou preguntando por peçoa que vem de la
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e premite deus noso sor que Vmce vive mtos annos de vida pa que nos vejamos ao Cavo da nosa velhisa porque dis aquele ditado quem he vivo sempre aparese
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e asim ainda nos podemos ver algum dia se deus nos emprestar a vida
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e tambem dou a Vmce parte da minha vida
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eu com a minha velhisa de cada ves se me vai ajuntando mtos males e vou andando tãobem pa meno
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e tãobem pedeme Vmce no seu escrito que lhe emcomende a deus
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tenho mesmo de obrigasão de emcomêdar todos meus Irmão a deus
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e com isto lhe emvio minha saudades e lcas a Vmce
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e a minha cunhada faço o mesmo e a mais da meninas e o meninos todos em geral faço o mesmo
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e a sua afilhada lhe pede a Vmce que lhe bote sua bensão
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e tãobem dou parte a Vmce q noço Irmão françisc alves Correa me escreveu do Rio das Conta em como minha subrinha Izabel bicuda morava com elle por sua vizinha
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neste meio tenpo chegou Dos Luis aonde ella estava
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derãolhe logo parte a ella
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ella logo acolheuse e botou pa a bahiya ter com o filho que anda no estudo
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e o escrito q noço Irmão me escreveo ahi lava meu subrinho mel Bicudo qdo for pa Vmce ver
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e com isto Ds a Vmce gde mtos annos
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desta sua Irma que mto lhe quer
[20]
Maria Moreira
[21]
oje 8 de abril de 1722 a

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