PT | EN | ES

Menú principal


Powered by <TEI:TOK>
Maarten Janssen, 2014-

CARDS5158

[1818]. Carta de Ana para Ana Augusta Ferreira de Mures, sua sobrinha.

ResumenA autora informa a destinatária, sua sobrinha, sobre a situação do irmão, que está preso.
Autor(es) Ana
Destinatario(s) Ana Augusta Ferreira de Mures            
Desde S.l.
Para S.l.
Contexto

Joaquim Norberto Ferreira de Mures exercia o cargo de escrivão do Geral e Notas da vila da Bemposta e em Salreu (Estarreja). Homem solteiro de 22 anos, era natural de Pombal e filho de José Félix de Mures e de D. Isabel Joaquina Teodora. Dele possuímos um pormenorizado retrato aquando da sua prisão em Pombal: estatura baixa, olhos castanhos, cara comprida, cabelo castanho escuro, barba preta. Trajava uma véstia de abas compridas de ganga, já usada, um colete de caxemira em bom uso, calça de meia cinzenta também em bom uso, botas de montar de atanado em bom uso, coberto com um carapuço de lã com uma fita encarnada e azul, também de lã.

Algum tempo antes, já tinha sido preso em Coimbra por falta de passaporte, seguindo dali para Pombal a fim de se saber a sua identidade, passando então para a cadeia do Limoeiro, em Lisboa. Mas esta era a sua versão. Conforme o auto de sumário feito nesta ocorrência, fora apanhado com armas de fogo, facas e demais armas proibidas.

O processo passou as segundas varas e os seus autos acabariam por subir ao Tribunal da Relação, acabando por ser absolvido e solto por ocasião do Indulto Régio publicado nos Faustíssimos Desposórios de Sua Alteza o Príncipe Real.

Joaquim usou a cópia da sentença para dar baixa da sua culpa e, tornando a Pombal, voltou a ser preso à ordem do Intendente Geral da Polícia, com mandado de prisão e busca, constituindo-se um novo sumário de vida e costumes pelo juiz de fora de Pombal.

Se, na sua ótica, tudo não passava de intrigas engendradas por pessoas suas inimigas, aparentemente, estava longe de ser uma mera vítima. Com efeito, os seus planos em Pombal seriam outros, pois várias testemunhas conheciam as suas ameaças de morte a oficiais de justiça. Apostado em ajustar contas com o juiz de fora, Dr. Marcos António Eiroles, e armado com um sacho e uma faca, por pouco não tirara a vida àquele juiz. Por esse mesmo facto, e por se ter alojado em casa contígua à residência de Marcos Eiroles, seria acusado de ter premeditado a morte daquele magistrado.

Além do mais, fora já arguido na vila de Pombal, por agressão física a Joaquim de Almeida e a António Gonçalves, correndo aquela causa quando ainda estava preso no Limoeiro. Conhecedor dos meandros das leis, Joaquim de Mures alegou em sua defesa não existir sequer corpo de delito, nem o obrigatório exame ocular do estado físico da vítima do suposto espancamento. Teria também propensão para lidar com armas desde a infância, um caráter volátil, explosivo e vingativo. O seu legado viria do pai, responsável por matar dois indivíduos. Negligente com a mãe, não só a maltratara, como a expulsara de casa e ameaçara de morte.

Quanto ao seu ofício, dizia-se que deixara de o exercer por manifestos erros. O seu comportamento delinquente era particularmente notado, sobretudo por manter, em Salreu, negociações com passadores e ladrões de gado, acolhendo-os em sua própria casa. Esta quadrilha já havia atuado na zona de Estarreja, vindo dois dos seus membros a ser presos em Ourém.

No ato da sua prisão, apenas se encontrou em sua posse uma navalha de ponta. Quanto à busca realizada na sua casa, indo as autoridades com o intuito de se lhe achar armas de fogo, correspondência ou outros documentos que dissessem respeito ao réu, encontraram o que procuravam: uma cravina, chumbo miúdo, pólvora e um conjunto de 14 cartas (uma das quais fragmentária).

O presente caso inscreve-se num período em que a Coroa se achava particularmente empenhada em conter as quadrilhas de ladrões que assolavam o reino, deixando as populações em constante sobressalto.

Soporte meia folha de papel não dobrada escrita dos dois lados.
Archivo Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Casa da Suplicação
Fondo Feitos Findos, Processos-Crime
Referencia archivística Letra J, Maço 59, Número 10, Caixa 176, Apenso 2, número 11
Folios 13r-v
Transcripción José Pedro Ferreira
Revisión principal Rita Marquilhas
Contextualización José Pedro Ferreira
Normalización Catarina Carvalheiro
Anotación POS Clara Pinto, Catarina Carvalheiro
Fecha de transcipción2007

Javascript seems to be turned off, or there was a communication error. Turn on Javascript for more display options.

Anna Augusta

Nada de te mortificares Com os revezes de teu Irmão tumalos Como mandados ao Çeo que numca são pa nosso mal; Louvemos a qm o q inda Castiga Com mta mizaricordia Se os Stos os Sofrem qdo Ds lhos manda Sem o mereserem Como o não. Sofreremos nós que o meresemos: Eu nada delle Sei Senão q o Crime está na Intenda e o Corrigidor dise a Sua Irmãa e dizia q os Coittos lhe tinhão ido pedir mas não boas Esperansas dali hirá pa onde Ds quizer, elle não tem nem quem nem huma unica pessoa a seu favor todos dizem é mto mau homem ali estará toda a sua Vida e eu se me tem ido qto tinha de provimto pa á ma Caza pois de Fora elle inda iria suprindo, mas outro homem ca Mai não pode ser nem la posso q tanto me não farião a mim em iguaes sisConstas faso pelo amor de Ds emqto posso q em não querendo o mesmo Ds me não obriga Ja se lhe venderão as bestas e aDs Joanna da bem Conta pedio por elle o Juis do Crime elle lhe dise q o Crime não estava na sua mão e q era Couza diabolica e Armas de Fogo, faca e huns ferros de prender os dedos. Nosso Sor mto farto das suas ofensas lhe está dando os agradecimtos Eu não qro pedir mais pa não ouvir o q me emvergonha ate hum Sugto de Coimbra dise a huma Sra deste Convto Sra não pesa por este homem q não sabe o q pede - emtão qm ha de falar em tal óh Anna o abuzo dos meus condos está Ds pagando Com lhe dar o q Eu sempre pensei Izabel Porcea me dise na ma Cara Sra D Anna Eu estive em salReo e sei seu Sobro é mto terrivel e não é Ladrão o q furta na estrada tem-bem o q não paga a qm deve: isto tem elle não ho-mem q sirva a suas Irmans senão de mta Ruina Eu tenho das suas Sobras mas o mal fizeram ellas mesmas a si, ora asim mmo tem pedido mto o seu Irmão as Sras das Lagrimas mas nada. tenhão satisfasão tratem verde pa Ds os ajudar. teu Irmão tem sido perguntado pellos Menistros Cada dia dis sua Couza qdo o q se dis á - primra ves Se dis sempre, inda o Juis do Crime ardeu Com estas tolisses está em Coimbra avaliado teu Irmão pello maior Asno do mundo Eu até tenho vergonha disto e tua Mai hum bandalho pellos tribunais q Cauza não mas Rizo de porca e Rota, as Servtas bem o dizem na Porta grasas a Ds q não falo Com ellas Saudes a Ludevina e da Joaqna Luiza e Frca emcomenda-te a Vossa Sra e não tenhas soberbas q essas estão bem abatidas tua do C

Anna

Leyenda:

ExpandedUnclearDeletedAddedSupplied


Download XMLDownload textText viewWordcloudFacsimile viewManuscript line viewPageflow viewVisualización por frase