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				<title>1828. Cópia de carta anónima dirigida ao Intendente Geral da Polícia, José Barata Freire de Lima.</title>
				<sponsor>CLUL, Centro de Linguística da Universidade de Lisboa</sponsor>
				<funder>FCT, Fundação para a Ciência e a Tecnologia PTDC/LIN/64472/2006; ERC, European Research Council - 7FP/ERC Advanced Grant 2011 GA295562</funder>
				<respStmt><resp>Projeto</resp><name xml:id="CARDS">CARDS, Cartas Desconhecidas</name></respStmt> 
				<respStmt><resp>Coordenação</resp><name xml:id="RM">Rita Marquilhas</name></respStmt> 
				<respStmt><resp>Transcrição</resp><name xml:id="LT">Leonor Tavares</name><name xml:id="MSC">Marisa Sousa Cruz</name></respStmt> 
				<respStmt><resp>Anotação POS</resp><name/></respStmt> 
				<respStmt><resp>Parsing</resp><name>por_anotar</name></respStmt> 
				<respStmt><resp>Contextualização</resp><name>Leonor Tavares</name><name>Marisa Sousa Cruz</name></respStmt> 
				<respStmt><resp>Revisão</resp><name xml:id="CA">Cristina Albino</name><name>Rita Marquilhas</name></respStmt> 
				<respStmt><resp>Edição modernizada</resp><name>Rita Marquilhas</name></respStmt> 
				<respStmt><resp>Palavras-chave</resp><name>Rita Marquilhas</name></respStmt>
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				<publisher>CLUL, Centro de Linguística da Universidade de Lisboa</publisher> 
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					<addrLine>Av. Professor Gama Pinto, 2</addrLine> 
					<addrLine>1649-003 Lisboa-Portugal</addrLine>
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				<pubPlace>Lisboa</pubPlace> 
				<date when="2007">2007</date> 
				<availability status="restricted"><p>Copyright 2007, CLUL</p></availability> 
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							<country>Portugal</country>
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							<institution key="CDD.xml#NatXReg">Arquivo Nacional da Torre do Tombo</institution>
							<repository xml:id="CS">Casa da Suplicação</repository>
							<collection>Feitos Findos, Processos-Crime</collection>
							<idno>Letra J, Maço 219, Número 7, Caixa 577, Caderno [1]</idno>
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							<summary>Carta anónima informando da morte de Francisco Balhão e pedindo a defesa do nome de D. Miguel.</summary>
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									<layout>disposição típica da cópia notarial.</layout>
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								<p>Sobrescrito:</p>
								<p><quote xml:lang="PT"></quote></p>
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								<availability><p>Reproduções não dispensam licença da DGARQ/TT.</p></availability>
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								<cit><bibl>Facsimile digital guardado como ficheiro JPEG</bibl></cit>
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					<bibl>Tipologia PS</bibl>
					<category xml:id="pragmatics"><catDesc>denúncia</catDesc></category>
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						Liberalismo,Asesinato</catDesc></category>
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			<settingDesc><p>Isidro Gonçalves, dono de uma Fábrica de Bolacha, foi denunciado às autoridades por duas razões: por ter sido responsável pela morte de um seu criado e por ser contrário ao partido de D. Miguel. Segundo a denúncia, a morte do criado Francisco Balhão ter-se-ia devido ao facto de ele ser "um moço muito realista". Interrogadas as testemunhas acerca do conteúdo do Auto, algumas disseram que a morte teria ocorrido "por causa de uma moça" e outras apontaram como causa uma bebedeira, afirmando que não faziam sentido os motivos políticos apontados. Testemunharam que Isidro Gonçalves sempre fora realista e bem comportado, nunca consentindo conversas políticas em sua casa. Ao mesmo tempo, um ourives de nome Manuel, amigo do tio de Francisco Balhão, teria pedido a Veríssimo José Martins, apontador do Arsenal Real dos Exércitos, que testemunhasse contra Isidro Gonçalves. Mas a verdade é que o mesmo Veríssimo José Martins revelou que a morte do moço se devia a ciúmes por causa de umas mulheres e não a motivos políticos. No final do processo, ficou claro que a denúncia era falsa.</p> <p>Este processo judicial e as cartas dele retiradas podem ser situados no momento das primeiras tentativas de revolta militar contra o recém-instalado governo absolutista de D. Miguel. Ao longo da primavera de 1828, ocorreram levantamentos liberais em diversas cidades do país, entre as quais o Porto, onde se chegou a formar uma Junta Governativa. Esse foi também o ano em que um grupo de estudantes de Coimbra, pertencentes à sociedade secreta “Divodignos”, assassinou a delegação de representantes da Universidade que se dirigia a Lisboa para felicitar D. Miguel.</p> <p>Além da resposta militar a estas ações, desencadeou-se por todo o país um movimento, muitas vezes referido como “Terror Miguelista”, de perseguição e repressão dos simpatizantes liberais. Bandos de "caceteiros” atuavam pelas ruas com impunidade e os oficiais do regime prendiam à mínima denúncia, sem necessidade de averiguação.</p> <p>Bibliografia</p> <p>Luís Reis Torgal e João Lourenço Roque (coords.), José Mattoso (org.)</p> <p>História de Portugal, vol. V: O liberalismo (1807-1890)</p> <p>Lisboa</p> <p>Círculo de Leitores</p> <p>1993.</p>
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			<change when="2010-07">José Pedro Ferreira: Script de conversão automática (MS Access para XML)</change> 
			<change when="2010-11">Cristina Albino: Revisão da leitura</change> 
			<change when="2010-10-11">Rita Marquilhas: Revisão da leitura, modernização e sumário em inglês</change>
			<change xml:lang="EN">
				<p sameAs="title">Copy of an anonymous denunciation letter sent to José Barata Freire de Lima, Superintendent of the Court and the Kingdom Police.</p>
				<p sameAs="summary">The author denounces the murderers of Francisco Balhão for political reasons .</p>
				<p sameAs="settingDesc">The process of Isidro Gonçalves, the owner of a biscuit factory in Lisbon, was the suspect of the murder of a servant of his and, simultaneously, of having dangerous political ideas, is contemporary with the liberal revolution in Portugal, during which liberal insurgents opposed the supporters of absolutism, led by the King D. Miguel. In reaction to this revolt, the forces of the regime persecuted and arrested people on the streets, simply based on common complaints and without further investigation.</p>
				<p sameAs="text"></p></change>
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