O autor conta a um membro do Santo Ofício, seu amigo, que está injustamente preso. Pede-lhe que verifique como as suas razões são verdadeiras.
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Meu amigo e meu sr da minha alma e do meu coracão que
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| [2] | he o luguar onde
Vm verdadeiramte sempre asiste e Vivera eter
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| [3] | namente prezo, solto, Vivo, e morto, ausente, e prezente, e sofra
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| [4] | me dilatarme q
a causa o pede e obriga a tudo.
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| [5] | Valhame Jezu Christo q não sei o
q digo nẽ conheco o estado em
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| [6] | q estou q he tal que
ja não permite este istilo perdoeme Vm
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| [7] | qa ex abundantia cordis os loqtr
E posto q me vise no myrador
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| [8] | e a Vm na cadeira de S Po
me não atrevera a mudar de lingoagẽ
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| [9] | porq conheço
a Vm immovel aos desiguais
ballanços de furtuna
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| [10] | e como Ja disse a Vm furtuna nõ mutat genus. Desgracado
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| [11] | mofino sou e fis
provou em mi a sorte todo o Rigor assy no Reino
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| [12] | Como neste Clima aonde posto q me quis de hum golpe
consumir
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| [13] | e desfaser se enganou no tempo pois cometeo a exausão a Vm
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| [14] | com quem elle
nem ella tem nenhũ poder como hu
Vi e Vivi
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| [15] | Não faso como o juis q sei q na justisa verdade emteresa
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| [16] | nẽ sange nẽ amisade nẽ
o poder do mundo todo tem nenhu lugar
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| [17] | pa com Vm e so o tem o zelo e a integridade como em tantos
annos
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| [18] | se tem bem alcansado e se publica em toda a India e Portugal e não
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| [19] | tenha Vm isto por licenca q
mtas vezes o repeti antes deste suceso
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| [20] | Tambem conheco q assi como a amisade me não podera
ajuntar
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| [21] | da justisa sei q no primor e entendimento de Vm me não podera
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| [22] | fazer com q
em minha vida, e em minha honra se queira Vm mostrar
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| [23] | rigurozamte justificado e exemplar antes
sei mto deserto pello q sei só
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| [24] | Vm q com grande gosto e larga
vontade ha de precurar minha in
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| [25] | ocencia minha justisa minha verdade e tão sertificado e firme estou
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| [26] | nisto q
se vir q Vm me manda queimar ainda q verdadeiramente
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| [27] | eu seja inocente e não tenha culpa
tal conseito tenho de Vm de sua
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| [28] | justisa e de seu bom animo q me persuadirei q
justamte me condena
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| [29] | va
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| [30] | Vm e q não pode faser menos q he tudo o q posso diser
neste
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| [31] | particular. Não digo isto porque Vm me deve mais q este amor
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e afericão nẽ porque Vm
me tenha outras obrigacois q a criacão da
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| [33] | Vde
Eu sou o que nella na india tenho recebido grandes
inim
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| [34] | A Vm devo a vida e honra e credito pois não tive outrem q me
honrasse
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| [35] | e favorecesse senão o sor Anto
de faria machado sou feitura de
Vm e
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| [36] | tanto me prezo de o ser q tenho meus males por ver q se podera
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| [37] | desfaser
cousa q Vm fes com tanta vontade e bemposto e lhe dey
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| [38] | a licão de 206.3. Manus tuae Domine fecerunt me: et die repent
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