António das Chagas escreve a um amigo, supostamente António Ribeiro de Abreu, relatando-lhe o que lhe fizera uma "Bruxa".
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J M J
Meu amo e Sor Ainda não tive occazião de man-
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| [2] | dar saber se no correyo ha carta de
Vmce senão ago-
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| [3] | ra, a qual espero com ancia passado lhe es-
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| [4] | crevi, agora não ha
q dizer senão q vamos conti-
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| [5] | nuando a nossa missão
nesta diabolica terra; po-
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| [6] | rem do enredo nada se descobre ainda, nem
des
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| [7] | cobrirá. a moça q descobrio isto, e o denunciou
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| [8] | a este
tribunal ja, sem o querer saber, nem o
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| [9] | perguntar, sei q he de
Morgaúde fa de huã
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va, e se chama Roza, a qual me disserão havia
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| [11] | de vir confessarse
comigo hũ destes dias aqui
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| [12] | a Cramos, e nós daqui vamos pa lá, e
da
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| [13] | hi pa Pedra Maria, aonde me dizem tambem
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| [14] | ha gente da
confraria; a gente de Simois foi-
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| [15] | à Lixa ouvir lá sermão em dia q
eu pregava
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| [16] | e dali viemos pa a sua frega
q he Mounção
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pro sermão q o fis tambem eu toda a caza foi
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q fica perto da Igra ao Ro de meu
compo não
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| [19] | forão os homens, nem alguãs mers
outros
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| [20] | quais tambem faltou a abelinha mestra
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q tem por alcunho a mal casada: ao 3o sermão
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q fis eu ninguem quis hir, tem o demo
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| [23] | aquillo
mto da sua mão; pro tivemos nota
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q se queria aquella gente confessar, porem logo mudarão de parecer,
á vin-
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| [26] | da pa Cramos viemos por sua caza, e estava a Bruxa
pla manham
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| [27] | e mais D
Anta nora do fidalgo assentadas fora ao pe de huã fonte: ja
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| [28] | a
conheço, e me beijou a manga, veja Vmce; q beijo, e
q
indulgas ganhou
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| [29] | e estava com seu Rozro na mão;
ainda está em boa ide só reparei q tem os olhos
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muy pizados, deve ser effo da Asmodice; eu tenholhe armado hũ laço
pa
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q venha falar comigo e consideradas as couzas humano modo não pode
deixar
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| [32] | de vir, porem poderá o diabo impedila, q so elle me
parece o pode fazer abai
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| [33] | xo de Ds suposto o q está
armado; e ainda as couzas se dispuzerão de sorte q
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| [34] | lhe havemos
de hir dormir a caza em acabando aqui a missão, e no caso q
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| [35] | cá
não venha, pareceme q lá fallarei com ella. Ds me
ajude a q lhe
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| [36] | de a entender alguã couza em modo q
ella se não escandalize nem se bote
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| [37] | o nego a perder; mas o
certo he q ella se dará por dezentendida a tudo o q eu
disser
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| [38] | remeto essas denuncias, e meu compo tambem outras, por
cá ha mto disso, e eu
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| [39] | examino aqui isso com mais
cuido e não hei de deixar passar nada, tudo lá hei
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| [40] | de
remeter a ver se alguã destas denuncias fás consonancia com alguã
q
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| [41] | ja lá estiver, e se se apanha alguã serva do Asmodeo;
encomendame a Ds
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q me de bom sucesso nesta empreza q andamos por
terra diabolica, e de mta
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luxa o mesmo sor o gde a
Vmce Cramos
11 de 9bro de 722
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Mto
amo do C e S
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Fr Antonio das Chagas
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