A autora conta à sua avó pormenores do envolvimento amoroso de uma ama, empregada pela avó, com um padre.
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Minha avo E ma Snra
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sinto a morer as couzas q Vm dis no
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seu Escrito pois pudia fiar de mim q mais avia punir
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pelo q lhe toqua do q por
criadas Emfim adiente q a minha
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furtuna he galante Esta mosa dis q se Vm soubera
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o q he Esa ama lhe não avia por culpa
nenhuma que
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Ela dizelo a ama do ser Anto Garadas hera pa q Ela lho dise
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se Esta qua se não atrevia a dizelo q
Em huã ocazião Em ca
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za qdo la Estavão todos lhe teve Ela a chave da sua arca Es
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condida mtos dias como Vm soube a qual chave servia
num
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caxamzinho da snra D theodora E huã ocazião a fui achar com
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Ele aberto E lhe tirou hum corno de agevixe de tremolas E eu
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lhe dise não bulise Em
couza nenhuma q se lhe tirase algua
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couza se avia achar menos, qdo Vm as mandou aos capuxos
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a via sacra Estando Elas de joelhos la dentro
se ergeo ela
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E lhe falou E ele lhe dise viese pa fora q dentro na Igra se não
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falava E ela veio pa fora E lhe falou fora todo o tempo
q ela
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quis E lhe dise lhe queria mto q Ele a tinha Emfeitisado q
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Emqto ele Estivese Em Lxa se não
avia ela hir Embora
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E se confesava a ele todas as vezes q Vm a mandava a Igra
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sem Vm o saber E o q mais Ela
não hovio q Ela dise mtas
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vezes queria fugir Com ele Eu lhe dise hera isso tenta
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são do demonio a agoa de cordova duas vezes a levou a Igra
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pa lha dar deu lha dentro no Confesunario E num dia de são
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João q Vm a mandou ao recio ver as capelas com a preta
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o qual pe Emcontrou la E veio a falar com ele todo o Ca
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minho e tempo q Ela quis E tão Emlevada deixou perder
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a perta E o dipois andou douda por ela E a preta a chorar E a
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foi achar na rua dos canos E numa ocazião Estando Ela
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la E Vm em caza pasou Ele pelo rego E ela lhe queria
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abir a porta do quintal para Ele Emtrar
pa dentro pa lhe
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