| Summary | O autor dá conta de diversas notícias familiares ao seu filho. No seguimento desta, e em data posterior, o autor acabou por acrescentar uma nova carta para o filho (PS1519). |
| Author(s) |
Gaspar Pereira
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| Addressee(s) |
Henrique Pereira
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| From |
Portugal, Miranda, Mogadouro |
| To |
España, Jaén |
| Context | Quatro cartas foram apreendidas no espólio de Francisco Fernandes, cristão-novo, morador e estudante em Bragança, preso pelos oficiais da alfândega de Bemposta, no rio Douro, quando este tentava atravessar para Castela na companhia da sua irmã, Ventura Fernandes, e da sua cunhada, Ana Pereira. Viajavam com uma mula e com grande quantidade de haveres pessoais, tal como indica um rol incluso no processo, o que despertou a curiosidade dos oficiais. Ao saberem que eram oriundos de Bragança, onde recentemente o Santo Ofício tinha realizado diversas detenções por judaísmo, tentaram deter Francisco Fernandes, que se pôs em fuga. Foi detido já perto do barco que fazia a travessia do Douro, enquanto ambas as mulheres, que já se encontravam na margem espanhola, retrocederam e se entregaram de livre vontade. Das perguntas feitas pelo corregedor de Miranda, apurou-se que os pais de Francisco e Ventura Fernandes tinham sido levados de Bragança para a Inquisição de Coimbra, onde teriam falecido. O mesmo tinha sucedido ao seu irmão, Luís Cardoso, marido de Ana Pereira. Tanto as cartas como os depoimentos dos dois irmãos mostram que tinham a intenção de seguir para Coimbra, mas que, chegando a Mogadouro, para onde Ana Pereira havia sido degredada por um ano pelo juiz do fisco de Bragança, esta convenceu-os a rumar a Fermoselhe, em Castela, de onde era natural e tinha família. O corregedor de Miranda, por considerar que o caso era do interesse do Santo Ofício, mandou-os presos para Coimbra. A parte processual lá composta inclui diversos traslados dos casos dos seus pais. Também se sabe que Francisco Fernandes foi posto a tormento. O acórdão deu-o como culpado de judaísmo, com dispensa de excomunhão por ter confessado, e confisco dos seus bens. |
| Support
| duas meias folhas de papel escritas em ambas as faces. |
| Archival Institution
| Arquivo Nacional da Torre do Tombo |
| Repository
| Tribunal do Santo Ofício |
| Collection
| Inquisição de Coimbra |
| Archival Reference
| Processo 463 |
| Folios
| [16]r-v |
| Socio-Historical Keywords
| Tiago Machado de Castro |
| Transcription
| Tiago Machado de de Castro |
| Main Revision
| Rita Marquilhas |
| Standardization
| Sandra Antunes |
| POS annotation
| Clara Pinto, Catarina Carvalheiro |
| Transcription date | 2013 |
| [1] | não ey tydo a dyas novas de vos somemte
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| [2] | os dyas pasados teve hũas regras que escreveo a
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| [3] | qua em nome de luys em que me dezya que es
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| [4] | tavays vos em sevylha avya dyas estas faço
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| [5] | vos dar conta de mỹ e de toda a minha qasa
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| [6] | e obrigacao dela e vosa yrma e sobrynhos
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| [7] | e estarem todos de saude a deos louvores e
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| [8] | goste com a boa lyda de voso Irmão manoel
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| [9] | alvarez que ja e vymdo a des louvado e cõ bonãca
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| [10] | seyja mto louvado la vos ey ja mãdado qarta
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| [11] | e minha não sey se forão ja a vosa mão
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| [12] | agora não tenha que vos dizer so vos darey cõta
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| [13] | que vosa molher ao presemte ter saude e me
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| [14] | foy des servydo levar pa sy a vosa menyna
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| [15] | mays pequena que foy este sabado pasado fez tres
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| [16] | semanas que seyja o sor servydo dela la muytos a
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| [17] | nos Rogando ao sor por vos. e asy tambem foy
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| [18] | servydo levar
a oyto dyas a framcysquo fo de voso
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| [19] | tyo
Royz e sua molher aymda não a parydo
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| [20] | esta de saude a des louvado emcomemdo vos mto q
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| [21] |
andeys por onde não des que falar as jemtes acerqua
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| [22] | de vosa vỹda que ja estou emfadado de vos escrever
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| [23] | dese negocyo poys tam pouquo qaso fazeys de que vos
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dygo e olhay que são vosos pequados os trabalhos
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| [25] | eses menynos vos emcomẽdo que não
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| [26] | ter quem os doutryne se manoel alvarẽz vos
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| [27] | escrever algua cousa que facays fazeyo que e bom
yr
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| [28] | mão el esta de quamynho pa yr ver vosa molher
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| [29] | e fylhos. o dro de bregamca qobrey dez mill res
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| [30] | que vinhão na quarta deles mãdey a vosa molher
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