O autor descreve o seu último ano de prisão e as pobres condições em que aí tem vivido injustamente, pois diz ser inocente dos crimes de que é acusado. Diz que se não obtiver ajuda, não se importará de tirar a vida pelas próprias mãos.
| [1] | Mas he digno de se notar
q sabendo o Sr Prelado evidentemte, a mi
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| [2] | nha innocençia, e
toda a mera verde; não desista da sua teyma, e paixão, para dar
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| [3] | a entender,
q obrou bem em me mandar prender; o q todos conhecem o contrario.
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Dou a Vs Ilmas; esta Conta; não para me justificar:
porq me confesso, por
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| [6] | indigno Mynistro de JESUS christo: mas sim sô para mayor
clareza da ver
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dad e; q a Vs Ilmas Representey: E como este Prelado estâ duro, e não quiz obedeçer
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| [8] | a
pra Carta Rogatória; estou esperando segunda, para se dar Conta a El Rey, e se to
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| [9] | mar
neste negco assento; a qm em mão propria se hão de entregar os
melhores do
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| [10] | cumentos, manifestaivos de todas estas tractadas, e de toda a pura verde
Como
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| [11] | bem de me mandar prender de poder, e da parte
do mesmo Rey enganadamte; pellos
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| [12] | Criados do Conde de Santiago, Com desprezo
do habito Saçerdotal.
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| [14] | A vista do q, Como me acho pobre e sem a esmola da minha
missa unico
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| [15] | Remedio da minha vida, e alma; não tendo outro; senão Recorrer â Caride
de
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| [16] | Vs Ilmas para q me favoreção; pois me vejo
tam dezemparado, q tenho vendido ate
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| [17] | os proprios Livros, e factos, e hey
de vender a camisa pa aclarar a minha verde
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| [18] | porq
sou hum clerigo honrado, e de vergonha; q nunca imaginey, chegasse a
semelhan
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| [19] | te estado: e assim se me não fizerem justiça,
estou em termos de dezesperar, e ma
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| [20] | tarme
por minhas proprias mãos; porq me he melhor morrer mil vezes, do q
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| [21] | viver
sem honra; e se Deos me não dezempárara com a sua graça e seus
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| [22] | não sey q fezerã; mas hey de ter
paciençia emqto elle for servido, e hey de fazer
da
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| [23] | necessidade virtude, sem ser descredito da
minha pessoa pedir publicamte porq
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| [24] | o mesmo Sor nos insinou
isto mesmo: A elle pedirey Continuamte pella vida
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| [25] | e saude de Vs Ilmas; e augmento, e conservação de tão pio, tam Recto, e tão Sto
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| [26] | Tribunal
da nossa sta fe Catholica; e q
gde por infinitos seculos. Aljube de
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| [27] | Braga
25 de Julho de 1722
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Aos pês de Vs Ilmas, e Reverdissimas
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| [29] | Humilde subdito, e mais
obediente Servo
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| [30] |
Thome da Motta Barretto
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