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Maarten Janssen, 2014-

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[1827]. Carta anónima de denúncia recebida na Intendência Geral da Polícia da Corte e Reino.

ResumoO autor denuncia os inimigos do sistema constitucional.
Autor(es) Anónimo18
Destinatário(s) [José Joaquim Rodrigues de Bastos]            
De Portugal, Lisboa
Para
Contexto

O contexto é o dos autos crimes de devassa por «adjetos sediciosos» em que foram pronunciados Caetano Cordeiro Fialho (sem ocupação, morador na Rua da Glória à Graça), Teotónio José Vilaça (empregado na mesa da fruta de Santa Apolónia, morador na Rua da Graça, número 79), José Joaquim Durão (músico da Patriarcal, residente na Graça), António Fernando da Silva Araújo (Tenente de Artilharia número 1, residente dentro da Quinta de Manuel Alves, Vale Escuro). A partir do terceiro caderno estão descritos os dados de genealogia e descrição física de cada um dos réus.

A acusação deveu-se a vozes subversivas sediciosas proferidas na Quinta de Manuel Alves, o Fogueteiro, em Vale Escuro (quinta do distrito da Cruz dos Quatro Caminhos), na tarde do dia 21 de setembro de 1726.

Esta carta anónima foi incluída no processo por nela se relatarem pormenores do ajuntamento denunciado na Intendência Geral da Polícia. A acusação relaciona-se com a carta, já que num encontro de um grupo de indivíduos, com o pretexto de uma merenda, proferiram-se vozes julgadas subversivas e sediciosas, saudando o Infante e Carlota Joaquina como Regentes de Portugal, saudando a queda do Governo e da Carta Constitucional e lançando um foguete a cada sucessiva saúde

Suporte meia folha de papel dobrada, escrita nas três primeiras faces.
Arquivo Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Casa da Suplicação
Fundo Feitos Findos, Processos-Crime
Cota arquivística Letra F, Maço 7, Número 30, Caixa 19, Caderno 2
Fólios 9r-10v
Socio-Historical Keywords Rita Marquilhas
Transcrição Cristina Albino
Revisão principal Cristina Albino
Contextualização Mariana Gomes
Modernização Rita Marquilhas
Data da transcrição2007

Texto: -


[1]
Illmo Snr
[2]
Nós os Consticionaes damos a VSa mil Louvores de agradecimto pelo bem, com q se tem portado na nossa legitima cauza; descubrindo os Malvados, q tanto percêguem as determinações do nosso Augusto Soberano, e até castigando-os como elles merecem; como á pouco se observou com aquelles máos Cidadões, q VSa tem mandado prender por blasfemarem da Constituição na Quinta de Manoel Alves fogueteiro, medidas estas bem adquadas, e muito louvaveis pa os abitantes de Lisboa.
[3]
He certo q VSa não pode conhecer todos os máos, e todos os inimigos do nosso Cystema Constitucional; mas eu tenho declarado guerra contra esta canhalha de revolcionarios e maldizentes, de Sorte q eu não emcubrirei nenhum tanto q o descubra, e logo darei parte a VSa como fiz com a çúcia da loja de bebidas da Graça, q he essa mma q VSa acaba de fazer prender,
[4]
mas ainda faltão alguns q tem escapado pela soncidade, como eu annunciei a VSa em outra oucazião;
[5]
estes são, o dono da mma loja, q he Clerigo, e o Caixeiro, e mais hum certo Inquiridor da Real Junta do Comercio por nome Joaqm Marçal da Fonceca, morador na rua da Oliveira, ao páço do Bemformozo no 27, segundo andar;
[6]
mas se encontra em caza, pela manhãa athé as sete ó oito horas pois vive e não tem familia;
[7]
este homem he mto amigo de hum certo Fialho q tambem está prezo pela mesma sucia da dita Quinta,
[8]
e este tal Fonceca he hum grande revolcionario, e muito contra a constituição, e hum socio dos mesmos prezos:
[9]
he percizo q VSa tome algum conhecimento disto, para q não a pior.
[10]
Deos Guarde a VSa por dilatados annos, para nosso sucêgo, e punidor dos rebeldes, como esperemos do Zello, e conduta, com q VSa tem mostrado a esta Corte q excede aos seus antecessores
[11]
PS Advirto q o sobredito Fonceca he hum dos q tem iludido alguns Soldados, q tem chegado a cometer grandes attentados.

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