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Maarten Janssen, 2014-

Representação em facsímile

1832. Carta anónima dirigida a um cabo da Guarda Real da Polícia.

ResumoO autor denuncia um caixeiro de armazém de vinhos, acusando-o de se manifestar contra o governo de D. Miguel e de possuir um exemplar da Carta Constitucional.
Autor(es) Anónimo3
Destinatário(s) Anónimo4            
De Portugal, Lisboa
Para S.l.
Contexto

Vivia-se o reinado de D. Miguel, rei que desenvolveu um vasto aparelho de espionagem (visível aliás na correspondência para o ministro da Justiça) e cujos métodos repressivos ficaram célebres. O ambiente de perseguição encheu de presos as cadeias de Lisboa e muitos aí pereceram, como os liberais Pedro Melo Breyner e Manuel Borges Carneiro. Mais modesto era o réu deste processo: a Guarda Real da Polícia, depois de recebida a denúncia anónima aqui publicada, prendeu prontamente o denunciado, Manuel Luís Pereira, caixeiro de armazém de vinhos (taberneiro) e deu parte dele à justiça. No processo está incluído, como prova sobre a qual o réu foi interrogado, um exemplar da Carta Constitucional (Lisboa. Na Impressão Regia, 1826). O processo inclui um documento ("Parte da Guarda Real" de 8/1/1832) em que se relata a atuação dos guardas: “Em consiquencia de huma annonima que hontem foi emtregue ao Commande. da Guarda da Praça da Figra. pr. hum indeviduo q. logo se retirou, na qual o delinqte. é acuzado de dezafecto a sagrada cauza da rialeza, o fiz prender hoje pelas 6 horas da mmanhaã no mencionado armazem, pelo sobredº. sargento, cabo, e soldºs., sendo-lhe emcontrada em hum armario q. tem no indicado armazem a carta constitucional impreça, a qual como a mmª. annonima, e delinquente, faço apprezentar a Va. Sa. q. determinará o que for servido.” O réu reclamou sempre a inocência, mas teve por pena sair de Lisboa e recolher-se à sua terra de origem, Valadares.

Suporte quarto de folha de papel não dobrado escrito no rosto e com sobrescrito no verso.
Arquivo Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Casa da Suplicação
Fundo Feitos Findos, Processos-Crime
Cota arquivística Letra M, Maço 9, Número 7, Caixa 19, Caderno [2]
Fólios [1]r-v
Transcrição Sara de França Sousa
Revisão principal Rita Marquilhas
Contextualização Miguel Cruz
Modernização Ana Luísa Costa
Anotação POS Clara Pinto, Catarina Carvalheiro
Data da transcrição2009

Page [1]r

Discoverta de hum Malhado na travessa da palha Almz de retem No 24 para mais provas de verde ainda a pauco que Sahiu do limoeiro ainda mais Logo que Seja prezo Sera Revistado que dentro na Sua Carteira tera huma Carta de Constuicão Carta mto mto Contra u nosso governo i contra A religião. Logo que este seja prezo direi eu quem sou amais tambem quem he u tal amigo Sera o Sr Cavo da guarda Obrigado a emtregar Ao Senhor Comandante he u do Manoel Luis Pera

Lisboa 6 de Janro de 1832


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