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Maarten Janssen, 2014-

CARDS2123

1610. Carta de António Feio de Horta, padre, para a Mesa da Inquisição de Coimbra.

ResumoO autor denuncia os atos de bigamia praticados pelo portador da mesma carta.
Autor(es) António Feio de Horta
Destinatário(s) Mesa da Inquisição de Coimbra            
De Portugal, Guarda, Gouveia, Melo
Para Portugal, Coimbra
Contexto

Pocesso de Francisco Rodrigues, cristão-velho, cardador, de idade de trinta anos, natural da vila da Moimenta da Beira e morador na vila de Melo.

O réu disse em depoimento, em 15 de Abril de 1610, que havia quinze anos (1595) se tinha casado com Maria Rodrigues, cristã velha, na vila de Melo. Disse também que sabia que ela ainda estava viva. Tinham vivido maritalmente por dois anos e tinham tido um filho que morrera. Depois disso, como a mulher ficou desgostosa, ele ausentou-se para o Reino de Castela.

Morou em Villacastín sob outro nome durante sete anos e aí se casou com Ana Paladina, cristã velha, de quem teve dois filhos e esperava um terceiro à época do depoimento. Separou-se desta segunda mulher por ter tido notícia de que a primeira ainda estava viva e voltou para junto dela.

A penitência aplicada foi a de sair em auto-da-fé com uma vela acesa na mão e a cabeça descoberta, fazer abjuração de leve, cumprir três anos de degredo nas galés a servir ao remo sem soldo, bem como penitências espirituais e o pagamento das custas. O réu foi poupado a mais anos de degredo e aos açoites por se ter apresentado na Mesa do Santo Ofício de livre e espontânea vontade e por ter voltado para a sua primeira mulher logo que a soube viva.

Suporte meia folha não dobrada escrita apenas no rosto.
Arquivo Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Tribunal do Santo Ofício
Fundo Inquisição de Coimbra
Cota arquivística Processo 2826
Fólios [3] r
Transcrição Leonor Tavares
Revisão principal Cristina Albino
Contextualização Leonor Tavares
Modernização Fernanda Pratas
Anotação POS Clara Pinto, Catarina Carvalheiro
Data da transcrição2009

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O portador desta se chama francisco Roiz, e em castella se chamava francisco de Campos tem officio de cardador he casado em façe da sta madre igreja ma Roiz desta Villa de mello molher mto pobre e q ganha a sua sustentacão por suas mãos E he tão virtuosa q sendo passados mtos annos de carestia nunca della ouve senão o home q fiqua dito e posto q no primeiro mommto estive levado pera fazer prender este seo marido pella justica secular pa q se não ausentasse te avijar a vsms comtudo o não tenho feito por favorecer esta boa molher elle se ausentou desta Villa avera onze annos pouco mais ou menos; e depois dahi a algũs annos (e não sei quantos) se casou em Villacastim no reino de castella q são 14 legoas d aquem de madrid, na estrada q vai pera a Corte e vive por baixo da igreja da dita Villacastim e tem huã quinta a que chama curral mas não sei o nome da molher, e elle o dirá, della tem fo e ja teve outro q lhe morreo e a castelhana em janro prezomo passado estava prenhe; e dizendolhe hum João Roiz casado nesta dita Villa q chamão o fornro que a dita sua molher maria Roiz era viva se vei elle e chegou a esta Villa de mello vespora de ramos tratou de se confessar polla obrigacão da Coresma a proprio, eu q ja sabia o caso e esperava a primra conjuncão pera escrever a Vsms o não quis confessar e o remeti a outros confessores que delles mo remeteo ,e elle instantia buscando pera isso duas vezes sua molher; de quẽ são amiguo por ser a q diguo, e seo cunhado, e elle mesmo me disse q lhe relevara pois eu era pisquisidor do sancto officio, q asim se chamará em castella, e isto tenho eu a bom sinal de em tudo não ser roim homẽ, mas enganado como ignorante declareilhe tudo e q não o avia de confessar e o q deuz a de fazer e elle vai de boa vontade confessar em mesa sua culpa e en a a confessarei não tendo outra cousa em contrario de VSMS a quẽ peço por servico de nosso sor pois elle o quer fazer que quanto for possivel com justica, o favorecão

Vl de mello 2a outava da pascoa de 610 Antonio feo d orta

Legenda:

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