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Maarten Janssen, 2014-

CARDS2257

1591. Carta de Henrique Nunes Correia para João Nunes, mercador.

ResumoO autor parece aconselhar o irmão por meias palavras a vir-se embora do Brasil por haver o perigo de vir a ser perseguido pela Inquisição. Dá notícias da Europa e fala num perdão geral para os judeus.
Autor(es) Henrique Nunes Correia
Destinatário(s) João Nunes            
De Portugal, Lisboa
Para América, Brasil, São Salvador da Bahia
Contexto

João Nunes, cristão-novo, mercador em Pernambuco, foi preso pelo Santo Ofício em Salvador da Bahia em 1592 por se dizer que tinha um Cristo escondido "detrás de um servidor em que fazia suas necessidades corporais" (fl. 8v). Às testemunhas inquiridas pelo visitador do Santo Ofício (criados do mercador), fora-lhes perguntado pelos comportamentos judaizantes do amo e pelas diligências que ele teria encomendado, já preso: i) para que escondessem o produto da venda de uns escravos ("setecentos e quarenta e tantos mil réis de umas 112 peças de escravos" ‒ fl. 19v) e ii) para se saber se já tinha sido passada uma provisão do Rei para que não se confiscassem as fazendas dos cristãos-novos presos pela Inquisição (fl. 18v). O processo foi todo preparado no Brasil pelo visitador Heitor Furtado de Mendonça, contendo apenas provas materiais e notação de testemunhos. Contém muitas denúncias de judaísmo e paganismo, alegadamente praticados por vários indivíduos da zona de Pernambuco. Depois de preso, João Nunes foi levado a ferros para Lisboa à guarda do mestre da caravela São João. No final de 1593 foi libertado sob fiança, ficando obrigado a residir em Lisboa. Em 1597 foi-lhe finalmente retirada a acusação.

Outros processos relacionados na Inquisição de Lisboa sob o nome de João Nunes são os n.º 88, n.º 885, n.º1491 e n.º 12464. A carta aqui transcrita está copiada nos fólios 206v a 208v do processo n.º 885 e serviu de apoio à transcrição apresentada.

Suporte uma folha de papel dobrada escrita nas quatro faces.
Arquivo Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Tribunal do Santo Ofício
Fundo Inquisição de Lisboa
Cota arquivística Processo 87
Fólios 66r-67v
Transcrição Tiago Machado de Castro
Revisão principal Rita Marquilhas
Contextualização Mário Costa e Tiago Machado de Castro
Modernização Sandra Antunes
Anotação POS Clara Pinto, Catarina Carvalheiro
Data da transcrição2012

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Sñr

Tenho hescrito o neçeçario pra bos auiar desdo brasill q he tpo he dentro de 6 mezes hestai despedido do brasill he todas bosas couzas feitas he tudo trespesado em mim sem fazer memorea de vos em nhua cousa poq asi conbem se he neçeçario pra colhermos allgua cousa do brasil he Vm hestar fora dele dentro de 6 mezes he se pareçer vender o hengenho vendase he se pareçer trespasalo em mim trespasese seu dito basta- po hora- novas da tera dizem q barçelona se entregua ao gemro d ell rei po dinheiro hell rei dizem ter nomeado capitais he fas mta gente he dizem q pra aragão- as couzas de frãça bão a pedaços- as de frãdes ho mesmo a nosa armada he saida de feroll pra as ylhas dizem a hesperar as naos da ymdia he navios de yndias- tomas xi mezes he ido a madride he chegou la em 8 deste he foi bem reçebido e bai av perdão gerall pra a nação q cuido avera he po iso darão a hell rei des galiois no mar 8 mezes do ano he trara de la o comsulado feito trazendo o perdão gerall hao comsulado q tudo he hũa mesma couza logo averemos liçemça pra urcas he abemdoa não me dara mto q Vm heste no brazill os 2 anos q dis mas não nas abemdo benhase Vm dentro de 6 mezes he hesta faço po via do poto hem as hurqas q partirão em 8o hescreverei mais ao çerto pra o govnador hirão as cartas q Vm pede mas não temos ainda nobas de ser na baia avedoa Ds levado em pas he diso temos mta comfiamça porq e dito de todos he pa de merecimto he mais levava comsigo a sta enqiçição segũdo disem q he prinçipall parte de noso sor o av levado em pas hi dizem q da baia hiria as capitanias de baixo hemtão a hesa capitania q dizerão sera nesa capitania daqi a seis mezes pouqo mais hou menos he bosas merçes ho saberão la melhor q hestão mais perto q posto q nesas teras não tem q fazer todavia foi couza sta pra q os negros digo gemtio q se faz xpão saiba como a de viv he pra iso he mto bom q aja qem lhe hensine a fe posto q me dizem a na paraiba 7 higrijas he mostros com tudo qto mais melhor, he se Vm se determinar de se vir logo como sera não abendo comsulos pra podermos mãdar hurqas traga duarte dias amriqes comsigo q he amygo he dizemme não faz la nada hi hesta abemturado a gastar la qto tem q de agastar como hele gasta se não fizer negoçeo em pouqo tpo se comsume omẽ hestarom pa Vm logo poq defemdem mto q não hescrevamos novas he premdem por isso nosso sr etc

em lxa 16 d agosto 1591 a

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