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1684. Carta de Manuel de Araújo, capelão, para um abade.

ResumenO autor pede a um abade que dispense a sua cunhada dos "bens d'alma", uma vez que há indícios de que o seu irmão se encontra vivo.
Autor(es) Manuel de Araújo
Destinatario(s) Anónimo238            
Desde Portugal, Braga, Urjais
Para Portugal, Viana, Rio Caldo
Contexto

Processo de Domingas de Araújo, moradora na freguesia de Rio Caldo, Terras de Bouro, acusada de bigamia. Conteúdo do processo: o padre Manuel de Araújo, cunhado da dita Domingas e morador em Santo Tirso, denunciou-a à Mesa no dia 11 de março de 1690. Domingas de Araújo era casada com António de Araújo, barbeiro, irmão deste padre Manuel, e tinha com ele dois filhos. Depois de o seu marido se ausentar para o Brasil por 18 ou 19 anos, e estando ele ainda vivo, esta terá casado pela segunda vez a 20 de janeiro de 1687 com Francisco Afonso, "o Fidalgo", lavrador, natural e morador da freguesia de Rio Caldo, concelho de Bouro, de quarenta e três anos de idade, com quem viveu dois ou três anos antes de o seu marido voltar do Brasil. À data da denúncia, António de Araújo encontrava-se a viver em casa de seu irmão e Domingas continuava a viver com o segundo marido.

Ao que consta, o padre Manuel de Araújo lia sempre à sua cunhada as cartas que António lhe mandava, escritas com a sua própria letra. Também Filipe Bravo, da mesma cidade, teria voltado do Brasil e lhe foi dar notícias de seu marido, pelo que ela saberia que ele estava vivo.

Domingas de Araújo pediu então uma audiência para confessar as culpas. Disse que só sabia que o marido escrevia porque o irmão deste, o padre Manuel de Araújo, assim o dizia, e que dele nunca recebeu carta alguma. Disse que escreveu ao marido e dele não obteve resposta, pensando então que estaria morto.

Disse ainda que só fez os bens d'alma do seu marido por ter sido perseguida, com esse fim, por um abade e um cura locais.

Disse também que só se casou com o dito Francisco Fidalgo porque os seus parentes a perseguiram para que tal fizesse.

Finalmente, disse que, quando soube que o seu primeiro marido tinha chegado do Brasil, logo se afastou do segundo e se recolheu na casa de sua cunhada, Isabel Francisca, permanecendo lá por dois meses. Aí deu à luz uma criança, filha do segundo marido, mas logo a entregou ao pai.

Disse também que o seu primeiro marido entendeu que ela não tivera a menor culpa, e então mandou buscá-la para que voltasse para junto de si em agosto. E que quando a prenderam já estava em casa deste e que viviam juntos novamente. Depois de inquiridas as testemunhas e de analisados todos os factos e documentos, a ré foi considerada inocente e foi absolvida, mas teve que pagar as custas do processo.

Soporte meia folha de papel dobrada, escrita na primeira e na última face
Archivo Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Tribunal do Santo Ofício
Fondo Inquisição de Coimbra
Referencia archivística Processo7445
Folios 35r
Transcripción Leonor Tavares
Revisión principal Fernanda Pratas
Contextualización Leonor Tavares
Normalización Fernanda Pratas
Anotación POS Clara Pinto, Catarina Carvalheiro
Fecha de transcipción2008

Page 35r > 35r

[1]
Snor abbade

festejarei q Vm pesua perfei

[2]
ta saude! Eu fico con saude
[3]
pa o q Vm me ordenar de
[4]
seu serviço Aqui chegou
[5]
Das de Araujo minha cunhada
[6]
a dizerme q a obrigavam
[7]
pa q fizesse os bens d alma
[8]
de seu marido, E porqto a
[9]
min me consta por ditto
[10]
de Phellippe Brabo q he
[11]
hum homen q veio do Bra
[12]
Zil, e pouzou junto a ponte
[13]
de Guimaraes o quoal veio
[14]
do Rio d S Francisco aon-
[15]
de me afirmou q meu Hir
[16]
mão Anto de Araujo Marido
[17]
de Das de Araujo ficava mto
[18]
valente, E isto avera dous
[19]
annos pouco mais ou menos
[20]
q o ditto Pheppe Brabo par-
[21]
tio d onde ficava meu hirmão
[22]
con saude, E de como asim o
[23]
dice e q o conhecia por serẽ
[24]
ambos naturaes desta Cida
[25]
de, e q o ditto Anto de Ara
[26]
ujo ficava con vida? o afirmo
[27]
in verbo saçerdotis.
[28]
E juntamte ahi vai hũa car
[29]
ta en duas folhas de

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