Corpus de Textos Antigos

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Maarten Janssen, 2014-

M1143T1084

Vida de Tarsis

TitleVida de Tarsis
AutorDesconhecido
EdiçãoEsperança Cardeira
Tradução/RedacçãoTradução do latim: Vita Sanctae Thaisis, inicialmente escrita em grego e transmitida, na tradução latina, nas Vitae Patrum, PL 73, 661-662.
Data da Tradução/Redacção1375-1400
TestemunhoBiblioteca Nacional de Portugal, Alc. 462, fls. 66r-67v
Data do Testemunho1431-1446
BITAGAPManid 1143, cnum 1072, Texid 1084
GéneroHagiografia

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índice Chapter Vida de Társis

Aquy se começa a uida de tarssis molher que foy muyto peccatriz .

Hũa mançeba foy do mundo que chamauã tarsis e era de tamanha fremosura que mujtos venderõ os beẽs que auyam por ella e ueerom a muj gram pobreza e aram aram: erro por eram. tantos amadores que ha amauom que mujtos moryam por ella e faziam grandes pellegas Quando esto soube o abbade paunucio ouue grande doo seu coracõ della e filhou panos de sagral por prezo de seu pecado e chegou aa porta della e disse lhe quero cõtigo fazer mjnha uontade E ella lhe disse que entrasse pa dentro e ẽtrou na primeira casa e acharom huũ leyto muj boo de mujtos panos de grande uallor E o abbade lhe disse . a hy outra casa mais escusada e ascondida E ella disse ha . e queres que nos vaamos pera ella e el disse ssy . E ella dise sse dos homeẽs as uergonça aque te nom veera nehuũ E sse de deus has uergonça . nom ha logar hu sse o homẽ ascõda ante os seus olhos E quando o uelho esto ouujo . dise lhe sabes quem he deus . e ella disse ssey e o sseu Reygno e o tormento que aueram aquelles que mal fezerẽ e ella disse ssy E o velho lhe disse. se esto sabes porque fezeste perder tantas almas . que nam tam soomente pella tua mais pellas de mujtos que fezeste perder porque por todas daras conto e rrazom a deus E ella quando esto ouujo. começou de chorar fortemẽte e cayo lhe aos pees e disse lhe que lhe desse peendença e que orasse a deus por ella e pedio lhe espaço de tres dias e que a cabo de tres dias faria qualquer cousa que lhe el mandasse E filhou Cem marcos d’ouro e de prata e mujto alJofar e mujtas outras doas e panos de sirgo que tijnha e veo sse elle aa praça da ujla e começou de braadar e dizer vinde ueer amadores do mundo o que eu conuosco gaanhey como ho eu aquy queymo e desy posse lhe o ffogo e queymou o e esto acabado foi se pera o abbade e o abbade lhe mandou fazer hũua çella pequena a par d’hũu mosteyro de donas e mandou lha mujto bem çarrar que lhe nom leixou sse nom hũa Janella pequena per que uisse e mandou lhe que comesse hũu pouco de pom e d’auga cada dia e mais e ẽsynou lhe como orasse e dise lhe tu nom es digna de nomear o nome de deus nẽ es digna de alçar as maaos contra o çeeo porque os teuos olhos e os teus beyços e as tuas maaos ouuerom grandes maldades e grandes pecados mais tam ssoomente olha contra ho ouryente e pide assy Senhor deus que me fezeste amerçea te de mỹ E ella esteue em aquella casa per tres annos E o abbade panunçio doeu sse della e foy sse pera o abbade antonjo e cõtou lhe todo o feyto e Rogou lhe que orasse a deus que lhe mostrasse sse lhe perdoara os sseus pecados E o abbade antonio chamou todos os seus disçipolos e disse lhes que orassem a deus sse perdoara os pecados aaquela molher E paullo o sinprez o mayor dos diçipollos do abbade antonjo vyo vijr pello çeeo hũũ leyto muj bem afeytado de panos preçiosos e tres virgees que o guardauã e paulo coidou que era o lleyto do abbade antonjo E hũa uoz veo do çeeo que lhe disse nom he do abbade antonjo mais he de tarsys aquella molher que Jaz emçarrada E paullo o cõtou outro dia ao abbade panunçio E o abbade panunçio foy hu ella Jazia e disse lhe perdoado te tem deus os teus pecados E ella lhe disse despoys que aquj Jaço de todolos meus pecados fige hũa carrega e pugy a ante os meus olhos e senpre me deles doy . E o abbade lhe disse . nom te perdoou deus pella tua peendença mais pello teu arrepeendimẽto E ella nom viueo mais xv dias E o abbade vyo hyr a sua alma pera o çeeo gram panha d’angos que faziam grande allegria ella. O ssenhor deus que a ella perdoou os sseus pecados . perdoe a nos os nossos amẽ . deo gracias .


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