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Maarten Janssen, 2014-

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[1748-1752]. Carta de Soror Isabel, religiosa, para o tio Nuno da Silva Teles, padre.

Autor(es)

S. Isabel      

Destinatario(s)

Nuno da Silva Teles                        

Resumen

A sobrinha, freira, escreve ao tio, padre ligado ao Tribunal da Inquisição, a descrever os ataques violentos sofridos pelas religiosas do mosteiro onde reside.
Page 47r > 47v

L Seja o SSmo S Meu Tio e Sor do meu C

por falta de tempo não tenho ja es-crito porq o dezejei fazer logo seguinte a nossa grade pa lhe dar pte; do Castigo q tive-mos plo q se falou nella; Ja VSa foy sabendo o trabo de Luiza Ignes ainda estã-do VSa na grade; e os ameaços q o Demo nos fez por sua boca; e com especialide a Ele-na; VSa se despedio de nós as 6 da noite; e as 8. faltou Elena; no q ninguem ad-virtio, mas hindo a portra fechar as portas; ouvio hũns gemidos; e Chamando gente forão seguindoos; e derão com Elena deitada no cham do Jardim atado o pescosso com hũa corda afogada prego; pregado no alto da cabeça; e os cácos de craveiro sobre q cahyo em sima da cabeça; quizemos levantala; mas ella se queichava, e doya de tal manra q pedia q antes queria aly morrer q moverçe; porq estava toda desconjuntada; quadril desmanchado; e todo o corpo hũa lastima; como de nenhũa sorte se pode; nem com ajuda de mta gente mover: porq esperavamos expirace por instantes; porq os desmayos perdidos os sentidos erão repetidos; entrarão os Pes couza q raras vezes socede; e com as suas deligas a fizerão Levantar; sesou o sangue da Cabeça do buraco do prego; e emfim veyo em braços pa Sima milhor; mas toda essa noite não parou; de dores, nem dormio instante; e a outro dia com a Repi-tição de preceitos se foy recobrando; e ainda q não esta de todo boa; esta com mto ali-vio; pedilhe eu me dissece qm lhe tinha feito isto pa dar pte a VSa e ella me disse q hindo a sua cela a buscar Livro; lhe apareceo a Valenta; e outra q ella não conhe-ceo, e arebatandoa lhe disse Valenta; agora pagara o q na grade falou; e arebatandoa plo ár; a Levarão plos Dormitorios e varandas lhe atarão a corda no pescosso dizendo ja q ellas sempre escapão; agora esta cahirá de modo q fique enforcada; e a Lançarão abaicho; cahyo sobre hũa tigela da caza cheya de terra q ficou quebrada com o seu pe-zo do corpo, no peito, e Costelas; e vindo logo ellas abaicho; disserão está viva? ora prega esse prego; e pregandolho como em hũa parede; lhe tirarão debaicho do corpo grde caco lho atirarão a cabeça; e se auzentarão; foy dos grdes favores de Ds q nos tem o ficar esta freira com vida neste dia porq sertamte o aperto da corda da gnarganta; com o pezo do corpo de tam grde altura como he da varanda ao jardim; so por milagre escapou; todas as freiras são testemunhas de como áchamos; e plas noites seguintes se tem experimentado o customado de jogos; pe mais martirios; no coro as missas se experimentão temiveis efftos e querendo nos conhecer hũa molher q estando na Igra os fez experimentar grdes demos os sinaes á Veleira pa q nos soubece o nome sem lhe dizermos a Cauza; e ella nos con-tou q estando ouvindo missa acabada, ella sahyo esta tal molher pa fora; e a Veleira deichandoa passar adiante puchou pla saya a outra q aLy estava; elle com tenção de lhe perguntar plo nome desta; mas antes de ella proferir palavra; voLtou pa ella com hũa cara mto Iráda; e lhe disse; Diga confeçor? plo q a pobre Veleira diz q tremendo ficou; vendo q ella lhe adevinhava o seu interior e q lhe fazia aqla pergunta como arguya daqle exame; soube então q lhe chamão Pascoa q mora aqui na Pampulha, mas q o seu nome da pia Ma mas que to



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