Do Espelho de Cristina existem dois outros exemplares: Biblioteca Nacional de Espanha R 11727(2); Biblioteca Nacional de Portugal Res.404V.
O material tipográfico utilizado no exemplar de Vila Viçosa apresenta um desgaste que fica evidente nos muitos defeitos de impressão. Há letras de que se vêem apenas vestígios e sinais de abreviatura e marcas de nasalidade que não são visíveis, embora seja de presumir que alguns poderão ter sido efectivamente compostos. Nestes casos, o desgaste dos tipos não permitiu uma boa aderência da tinta e resultou em falhas de impressão que levam a leituras erróneas. Todos estes defeitos são assinalados em nota, com excepção dos seguintes:
a) Falta marca de nasalidade em 67 ocorrências do verbo pertencer (perteeçer, perteeçe, perteeçẽte, etc.), em contraste com apenas 2 ocorrências nasalizadas (pertençe, pertençem). As formas desnasalizadas, embora maioritárias, não são de aceitar como variantes linguísticas, pelo que todas devem ser consideradas lições erróneas, onde é impossível distinguir erros de composição (o tipo e foi composto em vez do tipo ẽ) de falhas de impressão (foi composto o tipo ẽ mas, devido ao seu desgaste, a tinta não aderiu ao til). Pela sua elevada ocorrência, não serão descritas em nota estas 95 ocorrências.
b) Existem no texto 121 ocorrências nasalizadas do adjectivo bom, boom, boõ, boõs e apenas 46 ocorrências desnasalizadas (boo, boos). Tal como no caso anterior, não é possível distinguir erros de composição de falhas de impressão devidas ao desgaste dos tipos. Do mesmo modo, não serão registadas em nota devido à sua elevada frequência.
Alguns erros de troca de uma letra por outra paleograficamente semelhente explicam-se facilmente como erros de má distribuição dos tipos pelos caixotins. Esta explicação não será repetida em cada um dos casos em que possa oferecer-se.