Sentence view
Cedros, excerto 50
Text: -
INF A caseira da melancia e do melão é uma cova funda, [vocalização] uma cova que tem que leva o espaço dum cesto.
E no fundo dessa cova põe-se um cesto de estrume, um cesto de esterco.
E depois tapa-se a caseira com terra.
E depois aquilo é em circunferência,
E depois faz-se em redondo
e [vocalização] na, por fora, na na parte de fora da, da, da daquela circunferência faz a [vocalização] [pausa] a sementeira.
[vocalização] Pode-se pôr numa caseira vinte, trinta pevides,
que depois podem nem todas nascer,
podem, às vezes, algumas os bichos roerem.
Depois, se elas nascem todas, são tra- trabalhadas e arraladas.
E pode ficar em cada caseira, sei lá, dez, doze plantas.
E depois aquela, aquilo elas são as caseiras são esp- espaçosas, sei lá, um espaço de metro, umas das outras, [vocalização] para todos os lados.
Portanto, quem faz uma hor-…
Fazia-se hortas de vinte caseiras, de trinta caseiras…
[vocalização] Outros fazem caseiras mais pequenas.
INF O feijão aqui, normalmente, é semeado c- junto com o milho, [pausa] com o milho de maçaroca.
INF [vocalização] Semeia-se o milho
e [vocalização], de quatro em quatro regos, semeia-se um rego de feijão.
Depois isto aqui é um lugar muito ventoso,
as pessoas, vinha às vezes um ciclone que lhe deitava os milhos todos no chão,
as pessoas para tirar o mi- os feijões entre meio do milho, era muito difícil,
INF Mas houve anos que não se podia fazer senão assim, porque as terras eram tão poucas, que a pessoa tinha que aproveitar a terra o mais que podia.
também ele a batata a batata é semeada na horta,
que de cedo costuma-se a semear os um cestinho de asa – ou dois cestinhos – dessas batatas para chegar [vocalização] mais cedo,
que não há Espírito Santo sem batata nova.
Tem que se ter a batata nova para comer com a carne fresca.
Portanto, aí era semeada ao rego, à enxada, mas sempre ao rego.
Mas essa batata que é semeada assim de cedo, é também semeada com estrume.
Põe-se o estrume no fundo do rego.
E antigamente não era assim porque é como eu eu estou sempre a dizer que [vocalização] não havia possibilidades.
Havia pouca comida para o gado.
Hoje já não se faz assim.
que eu ainda me lembro de não se tra- cultivar nada com adubo.
Era só à base do estrume.
[vocalização] Já hoje há pouca há muita casa que já não faz estrume para nada,
só cultiva à base de [vocalização] de adubo, de adubagem, ou de [vocalização], de das ervas, do do tremoço.
Porque o tremoço, há três, quatro anos para aqui, desapareceu.
[vocalização] Há muito pouco [vocalização]…
O que há de tremoço, pode-se dizer que é quase como uma [vocalização] uma re- uma recordação do do que havia.
O tremoço de- deixou de haver.
Ou a doença do tremoço, ou ou a doença da terra, o tremoço deixou de de dar.
Mas cultiva-se a fava e a aveia, o centeio,
porque faz o o outono no lugar do tremoço.
Porque o tremoço já hoje não faz falta para o para o gado.
Fazia, fazia falta Faz falta para estrumar as terr- as terras.
Mas para o gado não faz falta porque [vocalização] vem o trevo substituir e vêm os outros comeres mais doces,
e o gado também já não gostam tanto.
Text view • Sentence view