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Cedros, excerto 50

LocalidadeCedros (Horta, Horta)
AssuntoA horta e os produtos hortícolas
Informante(s) Joana

Text: -


[1]
INF A caseira da melancia e do melão é uma cova funda, [vocalização] uma cova que tem que leva o espaço dum cesto.
[2]
E no fundo dessa cova põe-se um cesto de estrume, um cesto de esterco.
[3]
E depois tapa-se a caseira com terra.
[4]
E depois aquilo é em circunferência,
[5]
é em redondo.
[6]
E depois faz-se em redondo
[7]
e [vocalização] na, por fora, na na parte de fora da, da, da daquela circunferência faz a [vocalização] [pausa] a sementeira.
[8]
Põe a pevide.
[9]
[vocalização] Pode-se pôr numa caseira vinte, trinta pevides,
[10]
que depois podem nem todas nascer,
[11]
podem, às vezes, algumas os bichos roerem.
[12]
Depois, se elas nascem todas, são tra- trabalhadas e arraladas.
[13]
E pode ficar em cada caseira, sei , dez, doze plantas.
[14]
E depois aquela, aquilo elas são as caseiras são esp- espaçosas, sei , um espaço de metro, umas das outras, [vocalização] para todos os lados.
[15]
Portanto, quem faz uma hor-
[16]
Fazia-se hortas de vinte caseiras, de trinta caseiras
[17]
[vocalização] Outros fazem caseiras mais pequenas.
[18]
INF O feijão aqui, normalmente, é semeado c- junto com o milho, [pausa] com o milho de maçaroca.
[19]
INF [vocalização] Semeia-se o milho
[20]
e [vocalização], de quatro em quatro regos, semeia-se um rego de feijão.
[21]
Semeava-se!
[22]
Depois isto aqui é um lugar muito ventoso,
[23]
as pessoas, vinha às vezes um ciclone que lhe deitava os milhos todos no chão,
[24]
as pessoas para tirar o mi- os feijões entre meio do milho, era muito difícil,
[25]
custava muito!
[26]
INF Mas houve anos que não se podia fazer senão assim, porque as terras eram tão poucas, que a pessoa tinha que aproveitar a terra o mais que podia.
[27]
INF Não,
[28]
também ele a batata a batata é semeada na horta,
[29]
que de cedo costuma-se a semear os um cestinho de asa ou dois cestinhos dessas batatas para chegar [vocalização] mais cedo,
[30]
que não Espírito Santo sem batata nova.
[31]
Tem que se ter a batata nova para comer com a carne fresca.
[32]
Portanto, era semeada ao rego, à enxada, mas sempre ao rego.
[33]
Mas essa batata que é semeada assim de cedo, é também semeada com estrume.
[34]
Põe-se o estrume no fundo do rego.
[35]
E antigamente não era assim porque é como eu eu estou sempre a dizer que [vocalização] não havia possibilidades.
[36]
Havia pouca comida para o gado.
[37]
Cortava-se os tremoços
[38]
Hoje não se faz assim.
[39]
Arranca-se o tremoço,
[40]
põe-se no fundo do rego,
[41]
e põe-se adubo,
[42]
que eu ainda me lembro de não se tra- cultivar nada com adubo.
[43]
Era à base do estrume.
[44]
[vocalização] hoje pouca muita casa que não faz estrume para nada,
[45]
cultiva à base de [vocalização] de adubo, de adubagem, ou de [vocalização], de das ervas, do do tremoço.
[46]
Porque o tremoço, três, quatro anos para aqui, desapareceu.
[47]
[vocalização] muito pouco [vocalização]
[48]
O que de tremoço, pode-se dizer que é quase como uma [vocalização] uma re- uma recordação do do que havia.
[49]
Não tremoço.
[50]
O tremoço de- deixou de haver.
[51]
Ou a doença do tremoço, ou ou a doença da terra, o tremoço deixou de de dar.
[52]
Mas cultiva-se a fava e a aveia, o centeio,
[53]
porque faz o o outono no lugar do tremoço.
[54]
Porque o tremoço hoje não faz falta para o para o gado.
[55]
Fazia, fazia falta Faz falta para estrumar as terr- as terras.
[56]
Mas para o gado não faz falta porque [vocalização] vem o trevo substituir e vêm os outros comeres mais doces,
[57]
que o tremoço amargava
[58]
e o gado também não gostam tanto.

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