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Porto de Vacas, excerto 6
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INF Isto levava muita volta!
O linho levava muito volta!
e [verbo] em pano, porque eu também tecia.
INF E [vocalização] E [vocalização] tecia-o e tudo.
E, e E, em primeiro, até camisas assim para os homens, camisas de linho, [vocalização] faziam – em primeiro, quando era tudo mais pobre, que não havia dinheiro assim.
INF Nós, eu plantava-o todo…
A gente A gente [vocalização] apanhava-o…
A gente, ao fim de estar na terra – que, que que estava aquilo semeado –, e ao cabo que ao fim de estar assim, a gente passava-o para um para um…
Chamávamos nós o, um, um um ripe
Que era assim com uns dentes, assim uma coisa grande, com uns dentes grandes, para tirar a baganha, para, para para mor de depois secava para tirar a semente – para tirar a semente.
E depois a gente, então, ia-o merg-…
INF A baganha era era, então, a semente por cima do linho.
[vocalização] Dava semente,
dava assim umas cabecitas.
INF A semente era a linhaça.
Chamava-se era a linhaça.
Até vi- Até chegavam cá a andar a perguntar nela, a comprá-la por mor de levar para as farmácias. Para, para, para
INF Que era bom para m- para medicamentos.
[vocalização] Ele vinham muito comprá-la.
Até ele, em primeiro, na minha criação,
que a gente semeava muito.
E depois a gente, ao fim de o ripar, ia então a gente a mergulhá-lo no rio.
quando o apanhava era n- no ripe. Era um
INF Era uma coisa assim num pau, num, num
INF como é num banco, assim um coiso de ferro, assim alto…
estávamos a ripá-lo, e assim.
E caía a baganha para o chão, ou ou a semente – a a baganha para o chão –,
e depois botávamos aquela baganha ao sol.
E aquilo, depois, o sol é que tirava [vocalização] a semente, é que tirava a linhaça – é que se tirava a linhaça.
A gente Eu sabia-lhe dar as voltas todas.
E depois, então, a gente, ao fim de, de de se estar a [verbo], botava-o no rio assim uns tantos dias.
[pausa] A água A água, conforme está mais quente, curtia-o mais depressa.
ia lá tirar uma uma mancheia
e daí a um bocado a gente experimentava-o.
Era então uma tasca numa tasca que a gente o, o o botava.
Depois ao fim de o t-, de o, de o de o tascar, [vocalização] botava-o a gente aos molhinhos,
e botava-o depois num sedeiro.
Era um sedeiro a assedá-lo;
depois, ao fim de o fiar, [vocalização] a gente fazia na na roca…
Botava-o a gente numa roca.
E tinha a gente assim uma roca, assim de cana assim com um, com um, com um, com um;
botava-lhe assim uma rodelazita diante
E depois ia com com um fuso – [vocalização] tinha o fuso –,
ficavam assim umas maçarocas.
E depois levávamospara o para um…
Chamávamos nós um argadilho. E depois [vocalização]
Botava-o a gente num argadilho
e depois tirava a gente as meadas.
A gente lá dava as voltas
Depois, aquelas meadas, botava [vocalização] emborralhava-se em b- em borralha do forno, donde a gente cozia o pão – naquela borralha –,
e botava-se a cozer num nuns cestos, assim nuns cestos grandes no forno, onde a gente cozia o pão.
cozia [vocalização] Aquecia muito o forno
INF e coziam-se aquelas meadas.
ia a gente lavá-las bem lavadinhas
Ao rio, e quem não tem rio, numa ribeira ou num barroco.
E a gente depois levava então…
[vocalização] Lavava-as bem lavadinhas
e botava-as a gente a corar assim nos sítios, assim relveirinhos, a corar.
E ficavam então branquinhas e branquinhas!
INF Depois, ao fim de estarem então branquinhas – que a gente depois enxugava-as –, lavava-as umas poucas de vezes.
Eram lavadas m-, em muita vez, bem lavadinhas, bem lavadinhas,
ficava aquele aquele fio bem branquinho, bem [vocalização] muito branquinho;
botava-o a gente então naquela dobadoura – que, ali, vossemecê ali vê.
É naquela dobadoura que faz a gente então os novelos,
e depois é que ia para o tear.
E quando está no no tear, aquilo dá muita volta!
O linho dava muita volta.
INF Saía a [vocalização] rasta.
Saíam rastas, assim as rastas.
E a gente botava aquela baganha ao sol,
INF e depois até largar a semente.
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